terça-feira, 8 de março de 2016

Too big to fail

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Too big to fail, por Wagner Iglecias
Nos USA existe um ditado que diz "Too big to fail". Refere-se a grandes empresas nacionais que são importantes demais para desaparecerem, e que portanto devem contar, sim, com o apoio dos governos. Até ai, nada mais real e típico do Capitalismo como ele é, onde não há grande negócio nem história de sucesso empresarial que não tenha alguma relação com o Estado.
Quando o presidente da mais importante multinacional privada brasileira, Marcelo Odebrecht, é condenado a 19 anos de prisão, e André Gerdau, diretor-presidente de uma outra empresa-símbolo da economia brasileira, sofre condução coercitiva para ir depor na Justiça, fica-se com a impressão de que o Brasil está percorrendo um caminho diferente, numa trajetória auto-destrutiva que não se vê em outros países capitalistas.
Obviamente que ninguém vai defender aqui relações escusas entre governos e empresas, mas como bem lembrou em artigo de hoje o jornalista Mauro Santanyana, não se vê dos aparatos da Justiça rigor igual em relação a empresas estrangeiras envolvidas em malfeitos em nosso país. Na visão dele algumas empresas brasileiras estão pagando o preço de terem apoiado um governo nacionalista como o do PT. Caso mais próximo a isso no passado é o do antigo empresário Mário Wallace Simonsen, que foi próximo de Juscelino Kubitschek e João Goulart, e teve suas empresas encampadas ou fechadas pela ditadura militar. Entre elas estavam a TV Excelsior, a Panair (maior companhia aérea brasileira nos anos 1960), a Comal (maior processadora de café do país à época) e a Celma (empresa de manutenção de turbinas e aeronaves), entre outras.
Wagner Iglecias é doutor em Sociologia e professor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP. 

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