quarta-feira, 9 de março de 2016

Paulistanos reclamam de falta de água após Alckmin 'decretar' fim da crise

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2016/03/1747910-sp-reclama-de-falta-de-agua-apos-decreto-de-fim-da-crise.shtml


Governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), anunciou na segunda (7) que a crise hídrica que castiga o Estado há mais de dois anos chegou ao fim.
A declaração, no entanto, foi recebida com ceticismo por diversos moradores de São Paulo que relatam ainda sofrerem com torneiras secas em suas casas.
Em Guaianases, na zona leste da capital, a interrupção no fornecimento começa às 14h e só volta ao normal na madrugada do dia seguinte, por volta das 5h, dizem moradores. "Estão racionando água ainda, nada mudou", relata a dona de casa Rafaela Coutinho Xavier.
Rivaldo Gomes/Folhapress
Cleusa Rodrigues, moradora de Itaquera (zona leste), relata falta de água que chega a dez horas
No bairro de Itaquera, também na zona leste, moradores contam que a água falta todo dia a partir das 19h. As caixas só voltam a receber água da rua a partir das 5h do dia seguinte. "Armazeno água em tambores porque não confio mais se vamos ser abastecidos todos os dias", diz a dona de casa Cleusa Rodrigues, 65. Ela conta que, no auge da crise hídrica, a rua onde mora chegou a ficar cinco dias consecutivos sem abastecimento. Hoje, afirma ela, a situação amenizou, mas ainda não voltou a ser como era antes da crise.
ZONA NORTE
A rotina de aperto e desabastecimento continua também na zona norte. Ao menos duas vezes por semana, a engenheira Roseleide Bibiano, 49, no Parque Edu Chaves, é obrigada a esquentar água no fogão e a tomar banho de caneca quando chega do trabalho. "Não recebemos a água pela qual pagamos todos os meses", diz.
A família de Roseleide já se habituou a armazenar água da chuva em latões para usar na descarga dos banheiros e para limpar o quintal. A máquina de lavar roupas só é usada uma vez por semana.
"No fim de semana é pior, recebemos visitas de amigos e parentes e o constrangimento é geral", afirma ela.
SEM ÁGUA
Desde o agravamento da crise, a Sabesp e o governo Alckmin adotaram como principal estratégia contra a seca das represas a operação de "redução de pressão" nas tubulações.
A ideia era fazer com que a água fosse empurrada pelos canos da cidade com menos força. Assim, menos água era perdida nas inúmeras falhas da tubulação da empresa.
Sem força, a água não consegue chegar a milhares de casas de São Paulo. A situação sempre foi mais grave na periferia, onde a população se acostumou a não ter água nas torneiras durante horas todos os dias.
No auge da crise, esse racionamento (entrega controlada de água) deixou alguns bairros com 15 horas a 20 horas por dia de torneiras secas. Agora, com mais água nas represas graças ao bom volume de chuvas, a Sabesp diz estar reduzindo o período em que faz a manobra de "redução de pressão".
A empresa diz, no entanto, que ajustes pontuais estão sendo feitos para adequar o fornecimento de água a padrões anteriores à crise, que começou em 2014.

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