domingo, 13 de março de 2016

Invasão em reunião pró-Lula é "risco à democracia", diz ouvidor da PM

Virou crime ser petista?
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Jornal GGN - Júlio Cesar Neves, ouvidor da Polícia Militar de São Paulo, afirmou que a ação de policias em uma plenária de apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na subsede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em Diadema, é um "risco à democracia". O ouvidor disse que vai cobrar explicações da Secretaria de Segurança Pública e comparou o episódio à ditadura militar. "Em 1964 começou assim", disse.
De acordo com o deputado estadual Luiz Turco (PT-SP), um grupo de pessoas se reunia na subsede do sindicato na sexta à noite para uma homenagem ao ex-presidente quando dois policiais militares armados entraram no local, sem mandado judiicial. A PM negou qualquer tipo de invasão e intimidação aos sindicalistas.
Enviado por Henrique O
Do UOL
O ouvidor da Polícia Militar de São Paulo, Júlio Cesar Neves, classificou como um "risco à democracia" a ação de policiais armados durante uma plenária em apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva organizada pelo PT na subsede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC em Diadema nesta sexta-feira (11).
Neves comparou o episódio à ditadura militar (1964-1985) e disse que vai cobrar explicações da Secretaria de Segurança Pública. "É algo inédito e precisamos saber de quem partiu a ordem. Isso é um risco à democracia. Em 1964 começou assim", disse o ouvidor.
Segundo o deputado estadual Luiz Turco (PT-SP), um grupo de pessoas estava reunido na subsede do sindicato sexta-feira à noite para uma homenagem a Lula, que foi alvo de um pedido de prisão do Ministério Público de São Paulo na quinta-feira, e do ex-prefeito de Diadema e ex-secretário municipal de Saúde de São Paulo José de Filippi Junior.
Dois policiais militares armados com metralhadoras entraram no local sem mandado judicial dizendo que foram chamados para averiguar uma "denúncia" de reunião em favor do petista.
"Quando cheguei os policiais estavam em uma sala da diretoria e o nosso pessoal todo do lado de fora. Tentamos negociar a saída deles, mas eles já haviam chamado reforços", disse o deputado.
Imagens publicadas em redes sociais mostram quatro carros da PM com sirenes acesas na frente da subsede do sindicato. Segundo Turco, os policiais pediram documentos dos participantes da reunião, inclusive parlamentares. Além dele, estavam no local o deputado federal Vicentinho e o estadual Barba, ambos do PT.
"Vamos tomar todas as providências cabíveis. Já preparamos uma representação à Secretaria de Segurança. Isso é um absurdo. Não estamos em 1964", disse o deputado.
O ouvidor da PM também vai acionar a Secretaria. "Vamos tomar providências não apenas no âmbito da ouvidoria e da corregedoria. Vamos pedir uma explicação para a Secretaria", disse ele.
O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC divulgou uma nota na qual "insta o Poder Executivo Estadual a manter as suas forças policiais nos estritos limites da legalidade, contendo e corrigindo os abusos ocorridos". A PM e a SSP foram procuradas, mas até agora não se manifestaram sobre o assunto.

PM "repudia conotação política"

Em nota enviada ao UOL pela Secretaria de Segurança Pública, a Polícia Militar afirma que "repudia a errada conotação política que alguns militantes políticos pretenderam dar a uma normal situação". Diz, ainda, que "não houve qualquer tipo de invasão ou intimidação a sindicalistas".
 
Segundo a nota, a PM foi informada, na noite de sexta-feira (11), de que uma passeata sairia da sede do sindicato em Diadema e enviou "uma única viatura" ao local "para verificar qual seria o trajeto, no intuito de providenciar a segurança dos manifestantes".
Os policiais teriam sido instruídos a entrar no local para falar com os responsáveis, segundo a nota da PM, e lá foram hostilizados e impedidos de sair. "Para evitar qualquer tumulto, foram orientados a dirigir-se até uma sala reservada e aguardar a chegada da Força Tática".

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