segunda-feira, 13 de julho de 2015

Os segredos do câmbio

http://jornalggn.com.br/noticia/os-segredos-do-cambio


Por André Araújo
Em tempos de turbulência, o câmbio é a boia definitiva que segura uma economia.
A proteção das reservas internacionais é fundamental. Vejo buracos no casco do câmbio que é preciso tampar.
1.A exposição do BC a swaps cambiais em maio de 2015 era de R$ 356.6 bilhões. O prejuízo do BC na venda de proteção cambial, isto é, o prejuízo dos swaps foi de R$ 60 bilhões. É uma POLÍTICA ERRADA a meu ver. Para manter o Real valorizado e portanto segurar a inflação, não se permite a livre flutuação e para tanto se COMPROMETEM RESERVAS, vendendo dólar para entrega futura, de modo que nossas reservas em dólar são na realidade US$115 bilhões menores do que o declarado, porque esse valor foi vendido para entrega futura, reduzindo em UM TERÇO as reservas reais.
2.Historicamente o Brasil, desde a criação da SUMOC na década de 50, tinha uma política de CENTRALIZAÇÃO DO CÂMBIO, quer dizer o "CAIXA" das divisas é gerenciado todo pelo Banco Central e não disperso pelos bancos.
Toda receita de exportação e da conta capitais ingressa IMEDIATAMENTE nas reservas MAS essa politica sábia teve dois furos, duas medidas em benefício de particulares e contra o interesse publico, na crença que isso fosse positivo para o mercado, decisões tomadas em outro contexto da economia e que hoje devem ser revertidas, na realidade são alterações que abriram buracos perigosos. Primeiro permitiu-se que exportadores depositassem suas divisas no exterior, sem interná-las e portanto se quem compusessem nossas reservas, uma ABERRAÇÃO feita para diminuir o ingresso de dólares no País e para que se mantivesse o Real valorizado, tomadas em ciclos já ultrapassados.
Segundo, a Circular 3631 que transferiu aos bancos a decisão sobre o fechamento de câmbio de ingresos de dólares via ordens de pagamentos, os bancos não precisam fechar o câmbio de imediato, podem fazer uma "análise" da operação, sem prazo, a ordem fica "empoçada" no banco sem compor as reservas do Paíis. Ninguem sabe porque isso foi feito, um claro prejuizo às reservas e que permite toda sorte de manipulações em beneficio dos bancos.
Essas duas providências significam MENOS divisas nas reservas, o que valoriza o Real, o que segura a inflação MAS aumenta a vulnerabilidade externa do País, já que crise e fuga de reservas são sinônimos.
Como dizia o professor Mario Henrique Simonsen, a inflação aleija mas a crise cambial MATA.
O atual manejo do câmbio pelo Banco Central é irresponsável, aumentar as reservas é a prioridade e não a inflação.
E Simonsen era um ORTODOXO completo mas era inteligente e sabia o que era essencial, entre duas coisas ruins era preciso evitar a pior, o País sobrevive com inflação mas pode morrer por falta de reservas.
O Brasil NÃO PODE SOFRER UMA CRISE CAMBIAL, tudo o mais é menos importante.

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