segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Calote geral: Dilma acenou para a esquerda, mas entrega a política econômica ao sistema financeiro.

Corte em gastos sociais, investimentos que o Brasil precisa deixarão de ser feitos, tudo para agradar o mercado financeiro. Hoje o governo federal tem mais de 40% de seu orçamento gasto com a dívida pública. Vai economizar (fazer superavit) para que o banco central posta gastar mais com juros para garantir a vida boa do rentista.  Inflação é só desculpa para enganar os telespectadores da mídia tradicional.


http://jornalggn.com.br/noticia/a-mudanca-de-rota-na-politica-economica-com-as-possiveis-nomeacoes

A mudança de rota na política econômica com as possíveis nomeações

Jornal GGN - A indicação dos ministros da área econômica já divide opiniões. Levy representa uma mudança de rota do governo, começando um segundo turno com cara nova e direção nova. Antes de anunciar esses nomes, Dilma se viu em uma situação já conhecida, ou seja, a imprensa foi avisada antes do pronunciamento oficial. Ela não fez o anúncio, e também não deixou claro se são esses os nomes ou não. Leia a matéria do Valor, que além do anúncio faz uma análise dos pontos que os novos indicados deverão encarar e os motivos da presidente Dilma para levantar esses nomes. Como diz a matéria, a primeira tarefa de Joaquim Levy no ministério da Fazenda, Nelson Barbosa no Planejamento e Alexandre Tombini no Banco Central será viabilizar a política fiscal para 2015.
Regis Filho/ValorJoaquim - Levy: indicação para comandar a principal pasta da economia está na raiz da insatisfação de parte do PT
do Valor
Por Claudia Safatle, Andrea Jubé e Leandra Peres | De Brasília
Em uma substancial mudança de rota, a presidente Dilma Rousseff anuncia, esta semana, os ministros que vão conduzir a inflexão da política econômica em direção ao reforço do tripé macroeconômico - superávit primário das contas pública, meta de inflação de 4,5% a ser obtida até 2016 e regime de taxas de câmbio flutuantes. A primeira tarefa de Joaquim Levy no ministério da Fazenda, Nelson Barbosa no Planejamento e Alexandre Tombini no Banco Central será viabilizar a política fiscal para 2015.
Com um rombo nas contas do governo, os novos ministros terão que apresentar um conjunto de medidas para transformar o déficit gradualmente em superávits crescentes. O objetivo é reestabelecer a confiança do governo, apresentar um horizonte de recuperação das contas públicas para estabilizar e reduzir a relação dívida/PIB (Produto Interno Bruto). A tarefa mais imediata do trio será afastar o risco de perda do grau de investimento.
Guido Mantega, ministro da Fazenda, já vinha trabalhando em um pacote de cortes de gastos na área social - com regras mais restritivas de acesso ao seguro desemprego, abono salarial, pensões por morte. Abono e seguro desemprego sozinhos acumulam gastos de cerca de R$ 45 bilhões. Só nessa conta seria possível economizar 0,7% do PIB nos próximos quatro anos. Os investimentos para 2015 também devem ter redução, até porque em todo o começo de governo isso ocorre. Mantega, segundo fontes oficiais, deixará sugestões de "medidas duras", para deixar claro que se as contas descarrilharam, não foi por iniciativa dele.
Em uma projeção preliminar, seria possível um programa incremental de superávit primário na base de 1 ponto percentual do PIB nos próximos anos. Mas a política econômica do segundo mandato precisa ser mais abrangente do que cortes de gastos para recuperar as condições de crescimento do país. Nesse sentido, precisará uma nova abordagem para a indústria que está em retração há tempos, e mais foco nas exportações.
Na sexta-feira, os nomes de Levy e Barbosa seriam oficializados pela presidente em uma solenidade que foi, inexplicavelmente, adiada. Dilma não teria gostado do vazamento de informações para os jornais, cujos serviços de tempo real publicaram, antes da confirmação oficial, a escolha de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda, de Nelson Barbosa para o Planejamento e a permanência de Alexandre Tombini na presidência do Banco Central.
O adiamento para esta semana - provavelmente quinta feira - teve, porém, motivos menos triviais. A indicação de Levy para comandar a principal pasta da economia e uma das mais importantes do governo, estaria na raiz da insatisfação de uma facção do PT. Desde 2003 o cargo de ministro da Fazenda é ocupado por nomes vinculados ao Partido dos Trabalhadores - Antônio Palocci e Guido Mantega - e o escolhido para os próximos quatro anos, que foi secretário do Tesouro Nacional nos primeiros anos do governo Lula e é presidente da Bradesco Asset Managment, é um economista de sólida formação neoclássica e em nada se assemelha ao que, para dirigentes petistas, teria sido ditado pelas urnas.
Levy na Fazenda representa o enterro definitivo do que um dia se chamou de "nova matriz macroeconômica", representada por expansão fiscal, redução dos juros e câmbio desvalorizado de forma artificial e que levou o país à estagnação.
Outra razão, alegada no fim de semana, é que os novos nomes teriam que ser anunciados já com um programa fiscal de curto e médio prazos. O governo quer, também, que a apresentação da equipe ocorra com as mudanças na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) deste ano aprovadas no Congresso, apagando a meta de superávit que não será atingida. Aos ministros do segundo mandato cabe rearrumar o orçamento de 2015, dando-lhe credibilidade e transparência.
A mera expectativa do anúncio, na sexta feira, provocou uma mudança súbita e positiva nos preços dos ativos (a bolsa de valores subiu, os juros longos despencaram e a taxa de câmbio se valorizou). Levy já foi testado e bem sucedido na gestão rigorosa das contas públicas tanto da União quanto do Estado do Rio.
Quando o aviso do adiamento chegou às redações, os assessores da presidência já haviam preparado o palco para a apresentação dos novos ministros após o fechamento dos mercados. Uma mesa, dezenas de cadeiras e três microfones estavam arrumados no Salão Leste do palácio, localizado no segundo andar.
Ali seriam anunciados também os ministros do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic), senador Armando Monteiro (PTB-PE), ex-presidente da Confederação Nacional da Indústria CNI) e candidato derrotado ao governo de Pernambuco; e a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) para a Agricultura.
A indicação da presidente de Kátia Abreu para assumir o Ministério da Agricultura ainda enfrenta oposição dos movimentos sociais - setor da sociedade civil que foi decisivo na reeleição de Dilma no segundo turno -, mas tem o aval da cúpula do PT. Em sua página oficial na internet, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) não se posiciona formalmente, mas afirma, textualmente, que "diversos setores da sociedade se dizem abismados" com a possibilidade de um "governo do PT abrigá-la num ministério".
Em contrapartida, a direção petista tem convicção de que a senadora dará sequência à política conduzida por Dilma no primeiro mandato, que implica a modernização do agronegócio, mas, simultaneamente, o fortalecimento da agricultura familiar. "A senadora vai dar continuidade à política agrícola do governo Dilma", disse ao Valor o presidente do PT, Rui Falcão.
Uma fonte graduada do governo ressaltou que, apesar da oposição dos movimentos sociais, Kátia aproximou-se do governo ao trocar o PSD pelo PMDB em 2013, já com vistas à aliança com o PT no pleito deste ano. Esta fonte afirma que Kátia não se elegeria sem o apoio dos petistas no Tocantins. De fato, foi uma eleição apertada, em que ela venceu o deputado Eduardo Gomes (SD) na disputa ao Senado com menos de 1% de vantagem, equivalente a 6 mil votos. Observa que políticas sociais sensíveis, como reforma agrária e demarcação de terras indígenas não estarão sob a tutela de Kátia, porque atrelam-se a outras pastas: Desenvolvimento Agrário e Justiça, respectivamente. Outro trunfo para o governo é que com a nomeação de Kátia, o PT aumenta a bancada no Senado, com a chegada do primeiro suplente de Kátia, Donizeti Nogueira, filiado ao partido. O Planalto está preocupado com a bancada oposicionista no Senado, que chega com lideranças de peso da oposição, como José Serra (SP) e Tasso Jereissati (CE), ambos do PSDB, reforçando o time de Aécio Neves (PSDB-MG).
A combinação de Nelson Barbosa no Planejamento e Levy na Fazenda - um estruturalista pós keynesiano e o outro oriundo da escola de Chicago - pode ser prenúncio de encrenca no governo, mas ambos podem ser vistos, também, como profissionais complementares. Mantidas as diferenças de personalidade, de formação e de época, seria uma reedição da dupla Mário Henrique Simonsen e João Paulo dos Reis Velloso, no governo Geisel, o primeiro encarregado da estabilidade econômica e o segundo, dos ambiciosos PNDs (Plano Nacional de Desenvolvimento). Levy seria o responsável por uma política fiscal conservadora e austera e a Barbosa caberia alguma dose de ousadia.
Tombini, que surpreendeu ao elevar (no âmbito do Copom) a taxa de juros três dias após o segundo turno - até agora a única medida voltada ao controle da inflação do novo governo - chegou a ser cogitado para assumir a Fazenda. No entanto, disse à presidente Dilma que preferia permanecer na presidência do BC.
Os nomes de Levy, Tombini e Barbosa representam uma importante mudança de rumos da política econômica conduzida até aqui pelo trio Guido Mantega, Arno Augustin e Márcio Holland (secretários do Tesouro e de Política Econômica, respectivamente). Trata-se de uma equipe técnica de alto nível que, com o apoio da presidente, tem condições de montar um programa fiscal responsável para endireitar as contas públicas e preparar o terreno para uma futura redução sustentável da taxa de juros, permitindo que a economia brasileira volte a crescer.
Levy, segundo fontes, pode levar para a secretaria do Tesouro Nacional Tarcísio Godoy, que foi secretário-Adjunto do Tesouro Nacional na gestão de Levy e atualmente é diretor da Bradesco Seguros e Previdência.
Dilma deve escolher nesta semana os nomes para as presidências do Banco do Brasil e do BNDES que vão substituir Aldemir Bendini e Luciano Coutinho. Assessores da presidente informaram ao Valor que ambos não serão reconduzidos aos respectivos cargos no segundo mandato. Paulo Caffarelli, secretário-Executivo do Ministério da Fazenda, e Alexandre Abreu, vice presidente do BB, são cotados para a presidência dos bancos federais. (Colaborou Ribamar Oliveira)

Petrobras conclui perfuração do primeiro poço de extensão do Consórcio de Libra

http://jornalggn.com.br/noticia/petrobras-conclui-perfuracao-do-primeiro-poco-de-extensao-do-consorcio-de-libra

 
Jornal GGN - A perfuração do primeiro poço de extensão na área do Consórcio de Libra, o 3-BRSA-1255 (3-RJS-731), informalmente conhecido como NW1, foi concluído no início de novembro, segundo informa a Petrobras. Localizado na porção Noroeste do bloco de Libra, no pré-sal da Bacia de Santos, o poço está a aproximadamente 4 km a Sudeste do poço descobridor, o 2-ANP-2A-RJS.
 
O poço atingiu a profundidade final de 5.734 metros e está localizado a 185 km da costa do Rio de Janeiro, a uma profundidade de água de 1.963 metros. Com essa perfuração, foi confirmada a existência de uma coluna de hidrocarbonetos de aproximadamente 290 metros e um reservatório que apresenta boa porosidade e permeabilidade. As amostras coletadas do poço confirmaram tratar-se do mesmo petróleo encontrado no poço descobridor 2-ANP-2A-RJS, com 27 graus API. Está previsto, ainda, um teste de formação na zona portadora de petróleo para verificar a produtividade dos reservatórios.
 
O Consórcio de Libra – que é composto por Petrobras (operadora, com 40%), Shell (20%), Total (20%), CNPC (10%), CNOOC Limited (10%) e a companhia estatal Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA) – continuará as atividades previstas no Plano de Exploração aprovado pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
 
Neste momento, o segundo poço em perfuração - 3-RJS-735 - informalmente conhecido como L2C1, já atingiu a base da camada de sal e tem previsão de iniciar a fase de perfuração dentro do reservatório nos próximos dias.
 
Com informações da assessoria da Petrobras

O coice da revista Veja em Dilma

http://jornalggn.com.br/noticia/o-coice-da-revista-veja-em-dilma


Enviado por Mailson

A revista Veja desta semana deu mais um vexame e corre o risco de entrar para o livro dos recordes como a reportagem mais idiota do mundo.
Querendo derrubar Dilma, só provou a honestidade da presidenta. Pois a revista e seus vazadores vasculharam, procuraram coisas no material da Operação lava-jato e só conseguiram achar um email sem nada suspeito, de Paulo Roberto Costa para Dilma, em 2009, quando ela era ministra da Casa Civil e ele era diretor da Petrobras.
Até os assinantes burros da Veja (para continuar assinando a Veja tem que ser muito burro), se lerem o email com objetividade chegarão à conclusão:
1) O email não tem nada de mais, nem nada suspeito. Poderia ser publicado no Diário Oficial, como um ofício qualquer de um órgão para outro.
2) O conteúdo do email apenas encaminha para Dilma cópia do relatório do TCU que recomendava paralisação de obras em refinarias. O relatório é público, não contendo nenhum segredo, e foi enviado tanto à Petrobras como a própria Casa Civil recebeu também diretamente do TCU.
3) Só mostra que Dilma é honesta, trabalhadora e exigente em ser informada sobre qualquer coisa que afetasse o cronograma das obras do PAC que seu ministério acompanhava na época. Um diretor recebeu um relatório que poderia afetar o andamento e encaminhou como, provavelmente, deveriam fazer todos os funcionários que tivessem responsabilidade sobre o andamento de obras.
4) O email usou endereço oficial de trabalho da Petrobras para o endereço oficial de trabalho da Casa Civil no Palácio do Planalto.
5) Foi enviado por uma funcionária de Paulo Roberto a pedido dele e endereçado para o então chefe de gabinete da Casa Civil, com cópia para o endereço genérico do gabinete da Casa Civil, que deve ser processado por funcionários. Portanto não se trata de qualquer comunicação sigilosa, nem pessoal.
6) O texto mostra que Paulo Roberto Costa não tinha a menor proximidade com Dilma, pelo tratamento formal.
Eis a íntegra transcrita do e-mail, segundo a Veja:
De: lucosta@petrobras.com.br Em nome de pcosta@petrobras.com.br
Enviada em: terça-feira, 29 de setembro de 2009 19:53
Para: pedro.dalcero@planalto.gov.br; gabinetecasacivil@planalto.gov.br
Assunto: TCU. FISCOBRAS 2009 – OBRAS COM RECOMENDAÇÃO DE PARALISAÇÃO. Situação da REPAR, Refinaria Abreu e Lima e Construção de terminal de granéis líquidos no porto de Barra do Riacho/ES.
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Senhora Ministra Dilma Vana Rousseff,
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Seguem em anexo os dados do TCU (FISCOBRAS 2009) com a recomendação de paralisação de três obras do Abastecimento:
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1) RNEST (Refinaria Abreu e Lima em Pernambuco);
2) REPAR (Refinaria Getúlio Vargas, no Paraná) e
3) Terminal de granéis líquidos no Espírito Santo – Obra do Plangás (GLP).
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Conforme consta na nota, os processos são preliminares, não representando a posição final do TCU, assim como o TCU está enviando a CMO (Comissão Mista de Orçamento) do Congresso Federal, a quem compete a paralisação ou não das obras.
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No ano de 2007, o TCU propôs a paralisação de quatro obras da Petrobras, não tendo tal posicionamento sido ratificado pelo Congresso Nacional.
Como se vê, não há nada no email que indique maracutaia.
A Veja trata seus leitores como sendo tão burros, que "interpreta" o email como se o próprio Paulo Roberto Costa estivesse se auto-denunciando na época.
A Presidência da República emitiu a seguinte nota sobre a revista:
Nota à imprensa sobre reportagem da revista Veja:

A reportagem de capa da revista Veja de hoje é mais um episódio de manipulação jornalística que marca a publicação nos últimos anos.
Depois de tentar interferir no resultado das eleições presidenciais, numa operação condenada pela Justiça eleitoral, Veja tenta enganar seus leitores ao insinuar que, em 2009, já se sabia dos desvios praticados pelo senhor Paulo Roberto Costa, diretor da Petrobras demitido em março de 2012 pelo governo da presidenta Dilma.
As práticas ilegais do senhor Paulo Roberto Costa só vieram a público em 2014, graças às investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público.
Aos fatos:
Em 6 de novembro de 2014, Veja procurou a Secretaria de Imprensa da Presidência da República informando que iria publicar notícia, “baseada em provas factuais”, de que a então ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, recebeu mensagem eletrônica do senhor Paulo Roberto Costa, então diretor da Petrobras, sobre irregularidades detectadas em 2009 pelo Tribunal de Contas da União nas obras da refinaria Abreu e Lima. O repórter indagava que medidas e providências foram adotadas diante do acórdão do TCU. A revista não enviou cópia do e-mail.
No dia 7 de novembro, a Secretaria de Imprensa da Presidência da República encaminhou a seguinte nota para a revista:
“Em 2009, a Casa Civil era responsável pela coordenação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Assim, relatórios e acórdãos do TCU relativos às obras deste programa eram sistematicamente enviados pelo próprio tribunal para conhecimento da Casa Civil.
Após receber do Congresso Nacional (em agosto de 2009), do TCU (em 29 de setembro de 2009) e da Petrobras (em 29 de setembro de 2009), as informações sobre eventuais problemas nas obras da refinaria Abreu e Lima, a Casa Civil tomou as seguintes medidas:
a. Encaminhamento da matéria à Controladoria Geral da União, em setembro de 2009, para as providências cabíveis;
b. Determinação para que o grupo de acompanhamento do PAC procedesse ao exame do relatório, em conjunto com o Ministério de Minas e Energia e a Petrobras;
c. Participação em reunião de trabalho entre representantes do TCU, Comissão Mista de Orçamento, Petrobras e MME, após a inclusão da determinação de suspensão das obras da refinaria Abreu e Lima no Orçamento de 2010, aprovado pelo Congresso.
Nesta reunião, realizada em 20 de janeiro de 2010, “houve consenso sobre a viabilidade da regularização das pendências identificadas pelo TCU” nas obras da refinaria Abreu e Lima (conforme razões de veto de 26 de janeiro de 2009). Foi decidido, também, o acompanhamento da solução destas pendências, por meio de reuniões regulares entre o MME, o TCU e a Petrobras.
A partir daí, o Presidente da República decidiu pelo veto da proposta de paralisação da obra, com base nos seguintes elementos:
1) a avaliação de que as pendências levantados pelo TCU seriam regularizáveis;
2) as informações prestadas em nota técnica do MME que evidencia os prejuízos decorrentes da paralisação; e
3) o pedido formal de veto por parte do então Governador de Pernambuco, Eduardo Campos.
Este veto foi apreciado pelo Congresso Nacional, sendo mantido.
A partir de 2011, o Congresso Nacional, reconhecendo os avanços no trabalho conjunto entre MME, Petrobras e TCU, não incluiu as obras da refinaria Abreu e Lima no conjunto daquelas que deveriam ser paralisadas.
E a partir de 2013, tendo em vista as providências tomadas pela Petrobras, o TCU modificou o seu posicionamento sobre a necessidade de paralisação das obras da refinaria Abreu e Lima”.
A inconsistência da reportagem de Veja é evidente. As pendências apontadas pelo TCU nas obras da refinaria Abreu e Lima já haviam sido comunicadas, em agosto, à Casa Civil pelo Congresso e foram repassadas ao órgão competente, a CGU.
Como fica evidente na nota, representantes do TCU, Comissão Mista de Orçamento do Congresso, Petrobras e do Ministério de Minas e Energia discutiram a solução das pendências e, posteriormente, o Congresso Nacional concordou com o prosseguimento das obras na refinaria.
Mais uma vez, Veja desinforma seus leitores e tenta manipular a realidade dos fatos. Mais uma vez, irá fracassar.
Secretaria de Imprensa
Presidência da República

domingo, 23 de novembro de 2014

O primeiro passo

http://jornalggn.com.br/noticia/o-primeiro-passo-por-janio-de-freitas
Por Janio de Freitas
Da Folha de S. Paulo
A escolha de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda, vista de fora, é uma decisão política, não econômica. Faz supor uma escolha de Dilma Rousseff por temor da voracidade com que os conservadores ambicionam a retomada do Poder perdido. Presenteia-os, parece, na suposição de aplacá-los.
De fora, ainda não há como saber –e muito menos crer– de algum entendimento prévio sobre linha de política econômica que possa tornar a escolha mais inteligível. Seja como for, coerente com o sentido da campanha de Dilma, não é.
A escolha não tem coerência nem com o momento em que é feita. Na manhã mesma em que fez uma reunião para definir a escolha, liberada não oficialmente à tarde, o caderno "mercado2" da Folha apresentava como manchete: "Desemprego recua em outubro e atinge 4,7%; renda bate recorde". A seção "Economia" do "Globo", com uma nota na primeira página, também dava como manchete: "Emprego em alta, renda recorde".
Aos dois jornais não faltaram, claro, o "mas" e o "apesar de". Ainda assim, das manchetes pode-se entender que a economia esteja mais para o massacrado Guido Mantega do que para o Joaquim Levy que bem poderia ser ministro em um governo de Aécio Neves.
O histórico de Joaquim Levy não deixa dúvida sobre o seu conservadorismo, posto em prática evidente ao menos desde que foi secretário de Assuntos Econômicos do Ministério do Planejamento no governo Fernando Henrique. Conservadorismo confirmado no governo Lula, quando foi um dos inspiradores da política econômica que consagrou Antonio Palocci nos setores do domínio financeiro. E conservadorismo consolidado como secretário do Tesouro, quando Levy foi o ponto de resistência a gastos e outras medidas de linha social pretendidas no governo Lula.
Caso o histórico não baste, o presente garante: se não fosse adepto de concepções do conservadorismo neoliberal, Joaquim Levy não seria diretor do Bradesco. O que prova não se tratar, até agora, de pessoa incoerente.
Também sem comunicação oficial quando escrevo, a apontada indicação da senadora Kátia Abreu para a Agricultura sugere, ou confirma, uma disposição incomum de Dilma Rousseff para incrementar problemas com as correntes não conservadoras. A senadora exerce com muita competência a liderança do agronegócio e dos grandes proprietários de terra. Mas nem todos os interesses que defende coincidem com o que deveriam ser objetivos do governo, de todo governo.
Dilma Rousseff entra no segundo mandato devendo muito para reparar os desempenhos deploráveis do seu governo em três capítulos da desgraça nacional: o problema indígena, sem as demarcações territoriais devidas e com o genocídio em progressão; a questão fundiária em geral, com imensos territórios tomados e explorados; e, ainda e sempre, a reforma agrária, pendente de correções e de avanços. Três assuntos em que o responsável pela Agricultura tem deveres e poderes muito grandes. Três assuntos em que os interesses representados pela senadora Kátia Abreu conflitam, em todos os sentidos desta palavra, com as vítimas e com as obrigações e as dívidas administrativas e sociais do governo Dilma.
O primeiro movimento para o novo governo parece feito em marcha a ré. 

Se Levy tocar, Dilma dança

Muito boa a análise de Nassif, em resumo, se Dilma botar na fazenda um mercadista cortador de gastos, ela vai dançar. Vei perder de deve o apoio da esquerda.
http://jornalggn.com.br/noticia/se-levy-tocar-dilma-danca

Ministérios são locais de acertos políticos. Sem minimizar a competência técnica, é onde se montam as alianças com partidos e grupos de interesse - dos setores econômicos aos sociais.
Não se governa isolando-se em uma frente única - seja de esquerda ou de direita.
Mas há uma área crucial que é a econômica. É por aí que se define o ritmo do governo. De certo modo, é o gestor econômico que seleciona as prioridades, não apenas nos limites orçamentários, mas nos critérios de cortes.
Aparentemente, DIlma Rousseff desistiu de ser a solista da economia. Faz bem. Mas não pode abrir a mão da regência. E deve conter sua principal característica: a dos gestos heróicos.
Quando assumiu, pretendeu dar um choque na inflação. Derrubou a atividade econômica.
Depois, decidiu dar um choque nos juros. Trouxe a taxa Selic para razoabilíssimos 7,5% ao ano. Ao primeiro sinal de inflação (provocada por choques internacionais em preços de alimentos), piscou e resolveu dar novo choque na inflação.
Quando o PIB arriou novamente, resolveu dar um choque de crescimento. E arrebentou com as contas públicas.
A próxima etapa da presidente dependerá de quem colocar na Fazenda - que é o MInistério que comanda de fato os instrumentos macroeconômicos.

Os perfis de executivos

Vamos entender melhor perfis de executivos.
Há o CEO, o executivo com visão estratégica da empresa, que sabe medir a relevância de cada área, definir prioridades, montar um plano estratégico e colocá-lo em operação.
E há o financeiro ampliado. É o executivo com bom domínio sobre as contas, capaz de analisar os planos do CEO, avaliar sua viabilidade, propor ajustes etc. Tem domínio sobre as contas mas não sobre a lógica da empresa.
Nos anos 80 e 90 tivemos casos de empresas colocadas sob as ordens do financeiro. Saiu cortando custos, desmontou departamento essenciais, em pouco tempo conseguiu colocar a empresa no azul. Para equilibrar rapidamente as contas, deixou a empresa com um nível de faturamento incompatível com os desafios de disputar mercado. E a empresa quebrou.
É mais ou menos o dilema entre colocar ou Joaquim Levy ou Nelson Barbosa na Fazenda. Segundo alguns jornais, Levy adiantou que quer carta branca. Se entregar a Joaquim Levy, ele será o regente indemissível e virá um novo choque pela frente.
Choque fiscal significará derrubar ainda mais uma demanda já precária. Efetuará os cortes para uma previsão xis de PIB. Os cortes ampliarão a queda do PIB e obrigarão a mais cortes - se o PIB, e não a meta de superávit for a variável de ajuste.
Significará ampliar de forma radical os cortes nos ministérios, interrompendo programas.relevantes - que já estão afetados pelo contingenciamento branco da atual Secretaria do Tesouro. Significará enfraquecer todos os demais Ministérios.
Levy é o homem de custos.
Não se espere dele definir o que é ou não é prioritário. Ele tem cabeça de contador - no melhor mas no mais restritivo sentido. Não tem a menor sensibilidade ou conhecimento para selecionar programas essenciais para o desenvolvimento (de ciência e tecnologia a programas sociais).
Sua estratégia única é a de mercado: basta aumentar o superávit e cortar investimentos públicos que o espaço será automaticamente ocupado pelo setor privado.
Poderá garantir a manutenção do grau de investimento a um preço caríssimo. E não trará para Dilma o apoio do mercado ou da economia. A economia desabará, as tensões sociais se ampliarão.
Tudo isso em um quadro em que a oposição busca o impeachment. Quando o tiroteio se ampliar, as passeatas em favor da Dilma terão apenas funcionários da Standard & Poors. Aliás, nem eles, porque se definidas metas de superávit radicais, não serão cumpridas.
Nelson Barbosa é defensor de um ajuste gradual. Nelson já antecipou sua estratégia, definindo tetos para os diversos tipos de gasto em um horizonte factível de médio prazo.
Ele não é homem de mercado, como Levy, mas é interlocutor que o mercado respeita.
As agências de risco não querem gestos heróicos. Com os erros monumentais cometidos na crise da Argentina de Cavallo, sabem que gestos heróicos têm desdobramentos trágicos. O que garante a confiabilidade das políticas fiscais são planos claros e politicamente viáveis, metas factíveis de médio prazo que, ano a ano, sejam cumpridas.
Levy seria o melhor solista para monitorar o plano, para avaliar a sua consistência. No Banco Central, poderá ser o grande transformador que faltava, para uma política consistente com a Fazenda, de mudar a estrutura de títulos públicos e fazer nova investida para a trazer a Selic para níveis civilizados.
Se colocá-lo como maestro, a orquestra toca e Dilma dança.

Sobre corvos e espantalhos

http://brasildebate.com.br/sobre-corvos-e-espantalhos/


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Publicado no Valor em 21-11-2014
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Em artigo recente, publicado no Valor de 27 de outubro, os economistas Marcos Lisboa e Carlos Eduardo Gonçalves discutem o “espantalho da crítica heterodoxa”. Com esta expressão designam as réplicas de economistas ditos heterodoxos às críticas ortodoxas direcionadas à gestão econômica levada a cabo nos últimos cinco anos.
Marcadamente, as críticas ortodoxas orbitam em torno de três pilares: 1- excesso de intervenção pública, a qual é longeva, voluntarista e opaca; 2- falta, ou completo abandono, de rigor fiscal e 3- leniência da política monetária com a inflação. O resultado da conjunção destas características seria a estagnação da produtividade, o desequilíbrio fiscal e o recrudescimento inflacionário, que estariam comprometendo o crescimento econômico sustentado da economia brasileira.
A defesa heterodoxa, para os autores, seria uma réplica que busca distorcer as críticas ortodoxas, colocando-as sob um mesmo chapéu de austeridade fiscal e de reformas pró-desigualdade. Por meio dessa dissimulação, a heterodoxia estaria se isentando de responder efetivamente às críticas, evitando confrontar os pontos apontados como problemáticos.
Esta generalização da “heterodoxia” não permite identificar efetivamente quem ou que autores estariam reagindo desta forma e os colocam sob uma mesma designação. A heterodoxia é, porém, menos um conjunto uníssono de vozes e mais uma variedade ampla de timbres e linhas melódicas, que não se harmonizam num canto único, nem na defesa, nem na crítica das políticas governamentais.
Em termos gerais, a “nova” matriz econômica brasileira não representa nenhuma grande novidade, exceto pelo papel reservado à taxa de câmbio no controle inflacionário e na manutenção da (já deprimida) competitividade da indústria: ela, em alguma medida, deixou de ser a principal variável de ajuste utilizada, sob pena de ser jogada a derradeira pá de cal sobre a indústria de transformação nacional.
A liberalização comercial e financeira continua em voga, o regime de responsabilidade fiscal e de superávit primário constrange anualmente as decisões públicas e o regime de metas de inflação opera em plenitude – vide a decisão do Copom, em 29/10/14, a favor da elevação da taxa Selic, reagindo às últimas decisões do Banco Central americano.
Pode-se efetivamente argumentar que houve uma maior flexibilização na condução da política econômica de modo geral e que as políticas industriais e setoriais tenham ido significativamente mais longe durante o governo Dilma do que nos anteriores, como o fazem Lisboa e Gonçalves. Entretanto, o que foi posto em prática não representa nenhuma ruptura efetiva com a estratégia de desenvolvimento anteriormente traçada ou com o arcabouço previamente estabelecido.
As mudanças difundidas nos últimos governos do Partido dos Trabalhadores podem ser enquadradas numa definição de liberal-desenvolvimentismo (expressão tomada de empréstimo do professor Brasilio Sallum Jr.), em linha com aquelas iniciadas na segunda gestão de Fernando Henrique. A diferença, no entanto, reside na intensidade da leniência com a intervenção estatal.
A prioridade continua sendo a estabilização inflacionária, entendida como um sinônimo da estabilização econômica em geral, porém ganham maior peso nas decisões de política os efeitos potencialmente destrutivos das políticas anti-inflacionárias, o que se materializa na operação mais “flexível” do arcabouço de política econômica e intervenções mais perenes do Estado no sistema produtivo.
São medidas compensatórias, porém relevantes para conquistar um prestígio popular de uma massa que não tem mais como parâmetros o completo descontrole inflacionário, a desordem econômica e a profunda desigualdade, que cristalizaram em meados da década de 1990 uma convenção em prol da estabilização econômica pautada pelo neoliberalismo.
O período de relativo crescimento econômico, melhora no emprego e das desigualdades vivenciado ao longo da década de 2000 é incapaz de validar e disseminar socialmente a necessidade de políticas extremamente austeras em relação à inflação – e ao orçamento público.
Os parâmetros mudaram: a manutenção do emprego e da renda e a continuidade do processo de redução das desigualdades são agora os condicionantes, o que justifica a adoção contínua das medidas “compensatórias”. E isto ficou claro através do resultado das urnas no último dia 26 de outubro, com o apoio político manifestado à reeleição da presidente Dilma.
Os professores Lisboa e Gonçalves destacaram que “o que definitivamente não existe são países ricos com políticas macro e microeconômicas de viés heterodoxo com a extensão adotada no Brasil nos últimos cinco anos”. Entretanto, eles não mencionam que o que igualmente não existe são países ricos nos quais o emprego e a renda foram preservados com igual sucesso do Brasil nos últimos cinco anos. E que, além disso, na contramão destes países, também avançamos na redistribuição de renda, mesmo diante da pior crise econômica internacional dos últimos tempos.
A frustração de uma das possíveis críticas heterodoxas é justamente não ir além. Ir além e tentar estabelecer efetivamente um novo arcabouço de política onde emprego e renda não fossem subprodutos ou alvo de políticas compensatórias, mas estivessem no núcleo e configurassem o objetivo maior das políticas econômicas.
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