domingo, 7 de outubro de 2018

Xadrez do segundo turno e a comunidade amish de Bolsonaro, por Luis Nassif

https://jornalggn.com.br/noticia/xadrez-do-segundo-turno-e-a-comunidade-amish-de-bolsonaro-por-luis-nassif

Há algumas características a se observar nessas eleições:

Peça 1 – as ondas sucessivas no período eleitoral

Toda eleição prolongada é composta por ondas sucessivas, algumas pequenas, outras que ganham dimensão e refluem, outras que se tornam vitoriosas. Foi assim em quase todas as eleições pós-ditadura, embora o resultado final consolidasse a polarização PT x PSDB.
Nesses tempos todos observou-se o fenômeno breve de Mário Covas e Guilherme Afif em 1988, Garotinho, Ciro, Marina em outros momentos.
Essa eleição teve três ondas nítidas.
A primeira, pró-Bolsonaro após a facada.
A segunda, pró-Haddad depois de oficializado como candidato a presidente.
A terceira pró-Bolsonaro, provavelmente como reação à consolidação de Haddad, aos ataques dos demais candidatos, aos vazamentos da dupla Sérgio Moro-Globo, reavivando o clima da Lava Jato e às fantásticas passeatas das mulheres contra Bolsonaro.
Vamos tentar entender melhor esse motivo final.

Peça 2 –os porões da opinião pública

1.     Há um aspecto interessante nas denúncias. Denúncias de pessoas contra seu próprio campo são mais aceitas que contra o campo adversário. Um analista neutro ou progressista criticando o PT tem mais credibilidade que um Merval da vida. E vice-versa.
2.     Os bolsonaristas são essencialmente anti-sistema. O que seria o sistema? Os partidos políticos, incluindo PT, PSDB e PMDB, é claro. A Justiça, as instituições em geral, a mídia e os chamados leitores incluídos no mercado de opinião pública, aqueles nacos de público moderno, moralmente avançado, refletido nas novelas da Globo e nas manifestações de artistas. A TV Globo é sistema. Qualquer denúncia contra o sistema pega. Contra Bolsonaro, não.
Com ajuda profissional ou não,- os bolsonaristas vêm montando há tempos seu microssistema de informações através de grupos de WhatsApp, Telegram e Youtube. É um mundo novo, onde notícias falsas se misturam com verdadeiras, com teorias da conspiração, por mais inverossímeis que sejam. Quem define o que é verdade ou não é a própria comunidade. É uma imensa bolha que junta comunidades, tipo amish, apartadas do mundo moderno e vivendo de acordo com seus próprios códigos. Mas, ao contrário dos amish, alimentados com ódio permanente.
E nem se imagine apenas populações pouco instruídas dos sertões. Essa ignorância cívica pega desembargadores de tribunais, pequenos e médios empresários (os grandes estão de longe, aguardando os bons negócios que podem se abrir), e uma classe média que ainda acredita no mito do comunista-comendo-criancinha.
Seria apenas uma excrescência não tivesse envolvido metade do país. Tudo isso possível graças ao processo de degradação da notícia que ocorreu com o jornalismo de esgoto dos grandes veículos, os programas sensacionalistas da TV aberta e o caos que se instalou no mercado de opinião com o advento das redes sociais. Mas, principalmente, pela falência das instituições.
É por isso que uma manifestação épica, como a das mulheres, provoca uma contrarreação maior nas profundezas do país. É bem possível que se encontre aí as explicações para o aumento da rejeição feminina a Haddad.
Mas aí já é tema para os cientistas sociais explicarem mais à frente

Peça 3 – as novas ondas

O que interessa é daqui para frente.
Hoje, a pesquisa IBOPE mostrou alguma estabilização na última onda, com Bolsonaro e Haddad mantendo-se na margem de erro e, no segundo turno, um empate técnico, mas com Haddad levemente na frente. Significa que a segunda onda Bolsonaro pode ter chegado ao pico sem garantir a vitória no 1º turno.
Partindo-se para o 2º turno, haverá  uma nova onda Haddad, juntando todos os atemorizados por Bolsonaro.
Haverá os seguintes atores políticos tentando brecá-la:
Sérgio Moro – não se tenha dúvida que vazará mais delações de Palloci. Moro se tornou o símbolo máximo da desmoralização do Judiciário, enquanto instituição. A cada abuso, a reação são algumas palavras de condenação. E só.
Status quo -  trata-se de um contingente que aderiu a Bolsonaro pensando nas possibilidades futuras. Entram aí bilionários. É curiosa a adesão de parte da comunidade judaica, já que os judeus são alvos históricos do fascismo. Até famílias de bom nível intelectual, como os irmãos Feffer, caíram de cabeça na defesa de Bolsonaro. Não são numericamente significativos, mas têm poder de indução sobre os veículos de comunicação. Entram também associações empresariais, comunidade jurídica e outros setores conservadores.
Rede Globo – o editorial de hoje do jornal O Globo confirmou o que antecipamos na 6ª. A decisão do Ministro Luiz Fux, de desautorizar seu colega Ricardo Lewandowski, contou com a cumplicidade de Dias Toffoli e o salvo-conduto da Globo. O editorial faz críticas leves a Moro e condenações pesadas a Lewandowski. Nenhum pio sobre a decisão de Fux que, além de ilegal, atentou contra a liberdade de expressão e defende a censura prévia. A Globo incorre na mesma posição de Ministros do Supremo, como Luis Roberto Barroso, políticos, jornalistas, de não se guiar por princípios doutrinários, nem sequer pelos fundamentos da liberdade de imprensa. Aliás, este é o preço maior do subdesenvolvimento brasileiro, a praxi macunaímica de parte relevante da elite. Significa que continuará dando respaldo aos vazamentos de Moro e à disseminação de factoides.
Por outro lado, haverá os seguintes fatores a favor:
Fim dos ataques de outros candidatos – No 2º turno, rasgam-se as fantasias. No 1º, Haddad foi alvo de vários candidatos, por motivos diversos. Ciro, para tentar substituí-lo como o algoz de Bolsonaro. Alckmin para substituir Bolsonaro como algoz do PT. Marina por ser um poço até aqui de mágoas. E Álvaro Dias por ser um político provinciano de baixíssimo nível.
Clareza sobre a disputa - No 2º turno, esse Brasil mais moderno, espalhado por parte do eleitorado de Alckmin, por Ciro e Marina, terá que se decidir entre Bolsonaro e Haddad. Agora, não haverá mais zonas cinzas. A disputa será entre modernidade e atraso, civilização e barbárie.
Tete-a-tete nos debates – Bolsonaro terá que se mostrar, agora. E caberá a Haddad o desafio de domar o bruto, evitando a armadilha de se fixar em temas morais ou de desqualificar o oponente por sua ignorância. Qualquer dessas estratégias será considerada ofensa pessoal a cada bolsominion – já que o candidato tem a mesma dimensão de seu eleitor médio. O desafio será explicitar os efeitos nefastos do liberalismo selvagem de Bolsonaro sobre emprego e renda. Nesse campo, Haddad contará com o apoio inestimável do general Mourão. Espera-se apenas que esconda o Mourão do PT, o ex-Ministro José Dirceu. Terá também que firmar sua personalidade, para cativar os anti-lulistas.
Serão três semanas de pau puro. Na primeira, será possível esperar o crescimento da onda Haddad. Depois, é torcer.

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Bolsonaro defende educação à distância desde o ensino fundamental

É muita asneira para um homem só.

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Candidato afirma que aluno poderia fazer presencialmente apenas provas e aulas práticas
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O deputado Jair Bolsonaro, candidato à Presidência, durante entrevista Foto: Ailton de Freitas / Agência O Globo
O deputado Jair Bolsonaro, candidato à Presidência, durante entrevista Foto: Ailton de Freitas / Agência O Globo

BRASÍLIA — O deputado e candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro ( PSL ) defendeu o uso da educação à distância desde o ensino fundamental. Ele argumentou que esse tipo de metodologia pode ajudar a combater o "marxismo" nas escolas. Para Bolsonaro, o aluno poderia ir às escolas apenas para fazer provas e aulas práticas, a depender da disciplina. O presidenciável reapareceu em Brasília nesta terça-feira, no primeiro dia de trabalho da Câmara desde a volta do recesso.
— Conversei muito sobre ensino a distância. Me disseram que ajuda a combater o marxismo. Você pode fazer ensino a distância, você ajuda a baratear. E nesse dia talvez seja integral — afirmou o presidenciável, ao ser questionado por jornalistas sobre propostas para a educação.

Perguntado sobre em qual etapa da educação pretendia investir no ensino à distância, respondeu:
— No fundamental, médio, até universitário. Todos podem ser à distância, depende da disciplina. Fisicamente em época de prova ou aula prática — afirmou o presidenciável.
Bolsonaro disse ainda que "tem muito pai que prefere" alfabetizar seu filho em casa, mas não se posicionou especificamente sobre esse tema. O parlamentar defendeu o movimento Escola sem Partido e repetiu que pretende usar um "lança chamas" no Ministério da Educação para tirar de lá as ideias de Paulo Freire, autor de teorias sobre o pensamento crítico nas escolas.
— Você pega um garoto chinês, japonês, israelense de 15 anos de idade, ele sabe balancear uma equação química, ele sabe de cor o livro de física de Isaac Newton, já sabe integral, derivada. O nosso só tem pensamento crítico, pra saber se vai ser homem ou mulher, essa é a grande decisão da vida dele — afirmou o candidato do PSL.

Eleições 2018

Meus candidatos:

Presidente: Ciro 12 https://www.cirogomes.com.br/

Deputado Federal: Ivan Valente 5050 http://www.ivanvalente.com.br/

Deputado Estadual: Paulo Búfalo 50777 http://www.paulobufalo.com.br/

Senador 1: Suplicy 131 - sempre esteve defendendo os mais pobres, nunca votou contra o trabalhador
Senador 2: Jilmar Tatto 132

Governador:Luiz Marinho 13 Gente, olha bem em quem votar. Se o candidato já for deputado, olhe como ele votou nos projetos do seu interesse. Você é a favor da reforma da previdência? É a favor do fim dos direitos trabalhistas? Pois é, pensem bem. Para deputado eu recomendo os candidatos do PSOL. Estão sempre com o povo. Não aceitam dinheiro de empresa para suas campanhas. Pelo amor de Deus, não vote no Bolsonaro, a menos que você conheça seu programa, suas propostas. Esse cara foi deputado por 28 e nunca apresentou nada útil. Só enriqueceu. E sempre votou contra os trabalhadores. Votou pela entrega do pré-sal, do nosso petróleo para os gringos. Votou pela reforma trabalhista e pela terceirização geral. Essa reforma só vem prejudicando os trabalhadores. Votou pelo congelamento dos gastos com a saúde e educação por 20 anos. Que beleza. Esse cara não respeita a vida, defende a ditadura que matou e torturou muita gente. Não respeita o negro, a mulher e os homossexuais. Pretende acabar com os direitos trabalhistas. A mesma coisa digo da Mara Grabilli, candidata ao Senado. Ela é deputada federal pelo PSDB, partido do Aécio. Ela sempre votou com a orientação do partido, ou seja, sempre contra nós. Não se engane pela propaganda bonita. Os recursos do pré-sal que iriam financiar a educação e a saúde vão parar nos bolsos de norte-americanos, chineses e europeus. Essa senhora votou pela reforma trabalhista que libera que as grávidas trabalhem em local insalubre. Quer ver melhor as propostas dos candidatos a presidente: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-45215784

sábado, 29 de setembro de 2018

A venda das Sociedades de Propósito Específico da Eletrobras, por Eduardo Mota Silveira

https://jornalggn.com.br/blog/ronaldo-bicalho/a-venda-das-sociedades-de-proposito-especifico-da-eletrobras-por-eduardo-mota-silveira


A venda das Sociedades de Propósito Específico da Eletrobras
por Eduardo Mota Silveira
Na data de hoje, 27/09/2018, ocorreu o leilão concebido pela Eletrobras, para vender suas participações em Sociedades de Propósito Específico – SPEs, empresas com foco em parques eólicos e linhas de transmissão.
De início, é importante notar que estamos a dez dias das eleições presidenciais, o que significa que um novo gestor da nação pode discordar in totum da ação hoje empreendida pelo MME/Eletrobrás. A boa prática recomendaria cautela no processo, deixando-o para data futura mais adequada, evitando-se assim, inclusive, a reclamação de interessados que se queixaram do pouco tempo que tiveram para avaliar os projetos. Daí, a ocorrência de vários lotes vazios, sem nenhum lance. O açodamento dos gestores do Setor Elétrico propiciou essa condição.
Do leilão, como um todo, faço a seguir um rápido comparativo sobre o emblemático caso das eólicas que eram partilhadas pela Chesf, subsidiária da Eletrobras, com o grupo Brennand. 
Foram vendidos no leilão de hoje 49% do controle das SPEs referentes a um conjunto de eólicas pertencentes aos sócios Brennand e Chesf, perfazendo este parque uma potência total de 250 MW.
Em outras palavras o setor estatal ELB/Chesf abriu mão da posse de 122,5 MW de potência eólica instalada na região Nordeste, mais precisamente nas proximidades do rio São Francisco, e o valor da venda foi o próprio preço mínimo fixado para o Leilão, qual seja, R$ 232 milhões. Nenhum centavo a mais
Daí compõe-se um preço unitário de R$ 1.893.877,60 por MW para a potência descartada pela ELB/Chesf. Atenção, não descurar que se trata de um conjunto de parques eólicos EM OPERAÇÃO, de construção recente. 
Saindo do Leilão de hoje, conforme dados que podem ser consultados na página da ANEEL, no 28º Leilão de Energia Nova A-6 ocorrido recentemente, no dia 31/08/2018, os projetos eólicos totalizaram uma potência vendida de 1.250,7 MW. O investimento total estimado correspondente é igual a R$ 5.834.750.180,00. Ou seja, constatou-se  nesse leilão um valor médio unitário estimado de R$ 4.665.187,64/MW, para construção, montagem e colocação em operação de cada um dos novos projetos,
Daí, caberia ao investidor o seguinte questionamento: por que vou correr o risco de começar um projeto do zero, se vem o gestor máximo da Eletrobrás e coloca no tabuleiro do jogo um projeto pronto, em perfeitas condições operacionais, para ser vendido a risco zero, por menos da metade do preço de um novo? (...) continua no site do Instituto Ilumina.

O governo Temer está entregando o petróleo a preço de banana

https://jornalggn.com.br/noticia/uniao-vende-4-blocos-do-pre-sal-na-5%C2%AA-rodada-de-licitacoes

União vende 4 blocos do pré-sal na 5ª rodada de licitações

Grupos formados por Shell, Chevron, ExxonMobil, QPI, BP Energia, CNOOC e Ecopetrol arrematam 3 blocos da bacia de Santos; Petrobras fica com Sudoeste Tartaruga, em Campos 
 
Foto: Felipe Dantas/Agência Petrobras
 
Jornal GGN - Terminou na manhã desta sexta-feira (28) a 5ª rodada de Licitações de Partilha de Produção em áreas do pré-sal, com três dos quatro blocos, que foram disponibilizados nesta sessão, arrematados por grupos formados pelas empresas Shell, Chevron, ExxonMobil, QPI, BP Energia, CNOOC e Ecopetrol. Segundo informações da Agência Brasil, as vendas resultaram em uma arrecadação de R$ 6,82 bilhões com a venda dos blocos localizados em áreas do pré-sal. 
 
A Petrobras foi a única a apresentar proposta para o bloco de Sudoeste de Tartaruga Verde, na Bacia de Campos, entregando à União o percentual mínimo de 10,01% sobre a produção de óleo e o pagamento de um bônus de assinatura de R$ 70 milhões.
 
Segundo informações da Agência Nacional do Petróleo (ANP), 12 empresas se inscreveram para fazer os lances. O bloco de Saturno, da bacia de Santos, foi ganho pelas estrangeiras Shell e Chevron que ofereceram o percentual mínimo de 70,2% sobre a produção de óleo, um ágio de 300,23% sobre os 17,54% exigidos pela ANP.
 
O consórcio formado pela QPI e ExxonMobil, conquistou o bloco Titão, também da bacia de Santos, oferecendo à União participação de 23,49% sobre a produção, enquanto o lance mínimo era de 9,53%. O bônus de assinatura firmado ficou em R$ 3,125 bilhões. 
 
Por fim, o grupo formado por BP Energy, CNOOC e Ecopetrol arremataram o bloco Pau-Brasil (Santos), oferecendo para o Estado a participação de 63,79% sobre a produção de óleo, e bônus de assinatura de R$ 500 milhões. Veja o potencial em áras das bacias, conforme tabela divulgada pela ANP: 
 
 
O Decreto 9.041/201 que instituiu as novas regras de licitação para o regime de partilha de produção, foi assinado pelo governo Temer em maio de 2017. No texto original (Lei 12.351/2010), a Petrobras era a operadora única das áreas sob regime de partilha da produção. 
 
A alteração excluiu a obrigatoriedade da companhia brasileira atuar como operadora única em áreas do pré-sal ou com evidente potencial de produção de petróleo e gás. A nova medida prevê, ainda, que em caso de participação em consórcios a Petrobras terá garantida a participação mínima de 30%. 

Fux mostra que o golpismo está no STF, não nas Forças Armadas, por Luis Nassif

https://jornalggn.com.br/noticia/fux-mostra-que-o-golpismo-esta-no-stf-nao-nas-forcas-armadas-por-luis-nassif


Deve-se ao Ministro Luiz Fux a melhor contribuição até agora ao jogo democrático, ao explicitar de maneira inédita onde se trama o golpe. Agora, rasgaram-se as fantasias e Luis Roberto Barroso não poderá prosseguir mais no seu jogo de negaças, de tomar as decisões de forma partidária e tentar escondê-las em espertezas processuais que já não iludem ninguém.
Agora é Bolsonaro, ame-o ou deixe-o!
Ao derrubar a liminar concedida pelo Ministro Ricardo Lewandowski à Folha e à TV Minas, para poder  entrevistar Lula, Fux cometeu as seguintes irregularidades?
  1. Não existe hierarquia jurisdicional entre os Ministro do STF. Não cabe suspensão de liminar contra decisão de Ministro do STF.
  2. Fux tomou a decisão na qualidade de presidente interino do STF. Ocorre que o presidente do STF, Dias Toffoli, está no Brasil. Jamais poderia ter sido substituído pelo vice.
  3. Logo, Fux fraudou um instrumento processual para modificar uma decisão do STF. Tornou-se passível de impeachment.
  4. Instaurou a censura prévia no país, condenada pelo plenário na ADPf 130. A própria Procuradora Geral da República Raquel Dodge soltou uma nota dizendo que não iria recorrer em nome da liberdade de imprensa.
  5. Aceitou um pedido do partido Novo, que não tem legitimidade para propor. Suspensão de Liminar só pode ser proposta por entidade de direito público. Há uma exceção para entidade privada que estiver realizando serviço público – uma concessionária, por exemplo. O Novo não tem representaçào no Congresso Nacional. Não pode sequer ajuizar ação direta de inconstitucionalidade.
Isso ocorreu no mesmo momento em que o Departamento Jurídico do Exército informa a AGU (Advocacia Geral da União) da tentativa de um juiz seguidor de Bolsonaro de comprometer a próxima eleição.
Com isso, é exorcizado o fantasma que vem sendo permanentemente invocado pelas Cassandras para intimidar os defensores da democracia: as Forças Armadas são legalistas. Há Ministros do STF golpistas. E o álibi tácito de que se valem – o temor da reação das FFAAs – é falso.
Agora chegou a hora da verdade.
Fux já manifestara seu pendor de coronel político quando, na posição de presidente do Tribunal Superior Eleitoral, convocou Polícia Federal, MPF, ABIN para um combate às fakenews. E declarou que haveria busca e apreensão nos locais suspeitos, evitando a publicação – em uma declaração típica de censura prévia.
Clareadas as posições, resta saber como se comportarão Rosa Weber, Alexandre de Moraes, Edson Fachin, que nos últimos tempos formaram essa frente política com Fux e Barroso. E como fica Dias Toffoli, o novo presidente do STF que, pela primeira vez na vida, é alvo de esperanças de que tenha grandeza, que não se apequene.
Como Fux só mata no peito se houver um becão dando cobertura, quem seria o becão?
Será curioso acompanhar até onde irá a Globo, nesse momento raro da vida nacional, em que todas as hipocrisias são varridas: apoiará Fux e a censura prévia? Ou ficará do lado dos que defendem o sagrado direito da informação e da liberdade de imprensa?
Palpite meu: se a Globo montou a jogada, vai recuar; se não montou, nem ela vai avalizar essa  trapalhada autenticamente fuxiana. Seria endossar a censura prévia e comprometer seu maior trunfo constitucional: a liberdade de informação.
Como diria Millor Fernandes, só dói quando a gente ri.

quinta-feira, 27 de setembro de 2018