sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Devemos imitar o Chile?

O Chile tem indicadores vários indicadores sociais melhores que o Brasil. Mas isso não significa que devemos adotar o modelo econômico do Chile.

O Chile ao fazer uma abertura comercial ampla condenou sua economia a ser exportadora de produtos primários. Poucos países chegaram ao nível bem estar para população dessa forma. Há exceções, alguns de países de população pequena conseguem um bom padrão de vida à sua população mesmo com economia baseada em agropecuária ou exploração mineral.O Chile tem menos de 20 milhões de habitantes, o Brasil tem mais de 200 milhões de habitantes.

Ao consultar a pauta de exportação do Chile vemos o seguinte: cobre (33,9%), minérios (24,4%), frutas (6,3%), pescados (4,4%), e pastas de madeira (3,2%).

Uma abertura comercial ampla, somando ao real valorizado vai levar cada vez mais a economia brasileira a se especializar em commodities. A indústria vai se atrofiar cada vez mais. Só vai sobrevir alguma industria ligada aos setores que o governo der uma proteção forte e permanente (por exemplo a obrigação de conteúdo nacional nas compras da Petrobras).

É isso que queremos?

http://ois.sebrae.com.br/pais/chile/

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

O Brasil deve imitar o México?

O México voltou a ser colocado pelos neoliberais de plantão como exemplo a ser seguido para o Brasil. Só com as reformas liberalizantes. Será mesmo?

O México mantém-se alinhado ao neoliberalismo. Recentemente promoveu uma reforma energética que entregou as reservas de gás aos Estados Unidos. O governo bloqueia as tentativas de aumento do salário mínimo que perdeu 70% desde 1982. Quase 70% das exportações da indústria é formada por insumos importados, são as chamadas maquilas. Só são viáveis às custas de mão-de-obra muito barata.

Recentemente o México cresceu mais que os demais países latino-americanos, mas segundo a diretora de Américas do Centro para Pesquisa e Política Econômica (CEPR), organização com sede em Washington, está apenas tirando o atraso de anos de crescimento insuficiente. Concordo integralmente.

O Nafta - bloco econômico norte americano formado por EUA, Canadá e México, completou 20 anos em janeiro passado. Os benefícios para o México ficaram mais na promessa; parte do desempenho ruim da economia pode ser atribuído ao acordo.

Ao abrir o mercado totalmente para economias mais desenvolvidas você condena o país ao atraso, quase que permanentemente. Não conheço nenhum país que se desenvolveu dessa forma. A abertura normalmente é feita depois que as empresas nacionais tem musculatura para competir. As vezes é interessante abertura em setores selecionados.

Em 2012, os níveis de pobreza eram os mesmos de 1994, o que significou um aumento de 14 milhões no número de pobres em 20 anos. Entre 2001 e 2013, a economia mexicana ficou na 18ª na américa-latina pelo critério de crescimento da renda per capta. Quando pensamos em bem estar social, este indicador é melhor que puramente o PIB. O Brasil ficou em 13º lugar.

Devemos imitar o México? Deixe seu comentário.

Recomendação de leitura (leia tudo ou do meio para frente pelo menos):
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/02/140224_mexico_crescimento_pu.shtml

Quem viveu no período FHC não devia digitar 45 nem no microondas

Interessante artigo sobre o período FHC para que alguns recordem como era bom.

http://desmascarandoglobofolha.com/2014/08/23/quem-viveu-no-governo-psdbfhc-nao-digita-45-nem-no-micro-ondas/

7 motivos pelos quais Marina Silva não representa a “nova política”

http://www.cartacapital.com.br/blogs/carta-nas-eleicoes/marina-silva-nao-representa-a-nova-politica-7849.html

Se a sua intenção este ano é votar em uma "nova forma de fazer política", leia este texto antes de encarar a urna eletrônica
por Lino Bocchini — publicado 27/08/2014 14:10, última modificação 27/08/2014 16:07
Léo Cabral/ MSILVA Online
Marina-Silva-visita-a-Bienal-do-Livro-de-Sao-Paulo-foto-Leo-Cabral-MSILVA-ONLINE201408250010 (1).jpg
Neca Setúbal, herdeira do Itaú e coordenadora do programa de governo de Marina Silva, a candidata e seu vice, Beto Albuquerque
É comum eleitores justificarem o voto em Marina Silva para presidente nas Eleições 2014 afirmando que ela representaria uma “nova forma de fazer política”. Abaixo, sete razões pelas quais essa afirmação não faz sentido:
1. Marina Silva virou candidata fazendo uma aliança de ocasião. Marina abandonou o PT para ser candidata a presidente pelo PV. Desentendeu-se também com o novo partido e saiu para fundar a Rede -- e ser novamente candidata a presidente. Não conseguiu apoio suficiente e, no último dia do prazo legal, com a ameaça de ficar de fora da eleição, filiou-se ao PSB. Os dois lados assumem que a aliança é puramente eleitoral e será desfeita assim que a Rede for criada. Ou seja: sua candidatura nasce de uma necessidade clara (ser candidata), sem base alguma em propostas ou ideologia. Velha política em estado puro.
2. A chapa de Marina Silva está coligada com o que de mais atrasado existe na política. Em São Paulo, o PSB apoia a reeleição de Geraldo Alckmin, e é inclusive o partido de seu candidato a vice, Márcio França. No Paraná, apoia o também tucano Beto Richa, famoso por censurar blogs e pesquisas. A estratégia de “preservá-la” de tais palanques nada mais é do que isso, uma estratégia. Seu vice, seu partido, seus apoiadores próximos, seus financiadores e sua equipe estão a serviço de tais candidatos. Seu vice, Beto Albuquerque, aliás, é historicamente ligado ao agronegócio. Tudo normal, necessário até. Mas não é “nova política”.
3. As escolhas econômicas de Marina Silva são ainda mais conservadoras que as de Aécio Neves. A campanha de Marina é a que defende de forma mais contundente a independência do Banco Central. Na prática, isso significa deixar na mão do mercado a função de regular a si próprio. Nesse modelo, a política econômica fica nas mãos dos banqueiros, e não com o governo eleito pela população. Nem Aécio Neves é tão contundente em seu neoliberalismo. Os mentores de sua política econômica (futuros ministros?) são dois nomes ligados a Fernando Henrique: Eduardo Giannetti da Fonseca e André Lara Rezende, ex-presidente do BNDES e um dos líderes da política de privatizações de FHC. Algum problema? Para quem gosta, nenhum. Não é, contudo, “uma nova forma de se fazer política”.
4. O plano de governo de Marina Silva é feito por megaempresários bilionários. Sua coordenadora de programa de governo e principal arrecadadora de fundos é Maria Alice Setúbal, filha de Olavo Setúbal e acionista do Itaú. Outro parceiro antigo é Guilherme Leal. O sócio da Natura foi seu candidato a vice e um grande doador financeiro individual em 2010. A proximidade ainda mais explícita no debate da Band desta terça-feira. Para defendê-los, Marina chegou a comparar Neca, herdeira do maior banco do Brasil, com um lucro líquido de mais de R$ 9,3 bilhões no primeiro semestre, ao líder seringueiro Chico Mendes, que morreu pobre, assassinado com tiros de escopeta nos fundos de sua casa em Xapuri (AC) em dezembro de 1988. Devemos ter ojeriza dos muito ricos? Claro que não. Deixar o programa de governo a cargo de bilionários, contudo, não é exatamente algo inovador.
5. Marina Silva tem posições conservadoras em relação a gays, drogas e aborto. O discurso ensaiado vem se sofisticando, mas é grande a coleção de vídeos e entrevistas da ex-senadora nas quais ela se alinha aos mais fundamentalistas dogmas evangélicos. Devota da Assembleia de Deus, Marina já colocou-se diversas vezes contra o casamento gay, contra o aborto mesmo nos casos definidos por lei, contra a pesquisa com células-tronco e contra qualquer flexibilização na legislação das drogas. Nesses temas, a sua posição é a mais conservadora dentre os três principais postulantes à Presidência.
6. Marina Silva usa o marketing político convencional. Como qualquer candidato convencional, Marina tem uma estrutura robusta e profissionalizada de marketing. É defendida por uma assessoria de imprensa forte, age guiada por pesquisas qualitativas, ouve marqueteiros, publicitários e consultores de imagem. A grande diferença é que Marina usa sua equipe de marketing justamente para passar a imagem de não ter uma equipe de marketing.
7. Marina Silva mente ao negar a política. A cada vez que nega qualquer um dos pontos descritos acima, a candidata falta com a verdade. Ou, de forma mais clara: ela mente. E faz isso diariamente, como boa parte dos políticos dos quais diz ser diferente.
Há algum mal no uso de elementos da política tradicional? Nenhum. Dentro do atual sistema político, é assim que as coisas funcionam. E é bom para a democracia que pessoas com ideias diferentes conversem e cheguem a acordos sobre determinados pontos. Isso só vai mudar com uma reforma política para valer, algo que ainda não se sabe quando, como e se de fato será feita no Brasil.
Aécio tem objetivos claros. Quer resgatar as bandeiras históricas do PSDB, fala em enxugamento do Estado, moralização da máquina pública, melhora da economia e o fim do que considera um assistencialismo com a população mais pobre. Dilma também faz política calcada em propósitos claros: manter e aprofundar o conjunto de medidas do governo petista que estão reduzindo a desigualdade social no País.
Se você, entretanto, não gosta da plataforma de Dilma ou da de Aécio e quer fortalecer “uma nova forma de fazer política”, esqueça Marina e ouça Luciana Genro (PSOL) e Eduardo Jorge (PV) com mais atenção.
De Marina Silva, espere tudo menos a tal “nova forma de fazer política”. Até agora a sua principal e quase que única proposta é negar o que faz diariamente: política.

A Marina tucanizou

Segundo a Marina, "o problema do Brasil não é a elite". Deve ser o povo então. Esse absurdo foi dito quando foi questionada o debate da BAND sobre o fato de por trás de sua campanha estar a Neca Setúbal (herdeira do Itaú) e por ela defender a política insana de juros do Banco Central.

Ela chegou a dizer que Chico Mendes era da elite. Elite, se entende por donos do dinheiro e/ou donos do poder.

O sindicato de Xapuri, no Acre rebateu a declaração de Marina.

http://jornalggn.com.br/blog/antonio-ateu/sindicato-de-xapuri-rebate-declaracoes-de-marina


quarta-feira, 27 de agosto de 2014

O brasileiro paga muitos impostos?

http://brasildebate.com.br/o-brasileiro-paga-muitos-impostos-2/

  • 2957
     
    Share
Depende de qual brasileiro se está falando. O brasileiro pobre paga, sim, muitos impostos. O rico? Não. Explica-se. Há diversos tipos de impostos, mas pode-se resumi-los em dois grupos: impostos indiretos, cobrados sobre mercadorias e serviços, e impostos diretos, cobrados sobre a renda e patrimônio.
A estrutura tributária brasileira, herdada do período de ditadura militar, caracteriza-se por tributar mais mercadorias e serviços do que a renda e o patrimônio. A implicação disso é que pobre paga mais impostos proporcionalmente à sua renda do que o rico.
Um grande exemplo disso é o imposto de renda. Um levantamento da consultoria KPMG mostra a alíquota máxima de imposto de renda para diversos países. A partir do levantamento, o gráfico abaixo foi elaborado contando com os países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e de países-chave nos demais continentes.
Pode-se verificar que, na verdade, o Brasil (marcado em verde no gráfico) tem uma das menores alíquotas máximas de imposto de renda dentre os países selecionados. A alíquota máxima de imposto de renda que aqui se pode pagar corresponde a menos da metade da alíquota máxima campeã, a da Suécia.
Este é o principal motivo pelo qual o Brasil precisa de uma reforma tributária: tornar sua estrutura tributária mais progressiva, contribuindo positivamente para uma melhor distribuição de renda. E é contra isso que os conservadores lutarão.
gráfico reforma tributaria2
- See more at: http://brasildebate.com.br/o-brasileiro-paga-muitos-impostos-2/#sthash.oUAFZ11l.dpuf

Quem paga mais impostos no Brasil?

grafico distribuiçao da carga tributaria bruta
Nota do Brasil Debate
Em O brasileiro paga muitos impostos?, mostramos que a alíquota máxima de imposto de renda na economia brasileira é das menores do mundo.
Afirmamos também que os pobres pagam mais impostos relativamente à renda, principalmente porque, apesar de não pagar imposto de renda, há uma concentração da estrutura tributária brasileira nos impostos sobre consumo.
Nessa nota mostramos as estimativas do peso da carga tributária relativamente para as famílias em cada estrato de rendimento.
Os dados são calculados para 2004 por Zockun, M. et al. (2007), com base na Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do IBGE de 2002/2003.
No entanto, a carga tributária bruta aumentou de 2004 a 2008. Para obter os valores de 2008, o Ipea fez a razoável suposição de que a regressividade não piorou nem melhorou – afinal, a estrutura tributária pouco mudou no período.
A ideia é que o peso do aumento da carga tributária foi igualmente distribuído. Estimamos, com base na mesma ideia, os valores para o ano de 2012.
A tabela abaixo demonstra que os pobres pagam um percentual muito maior de impostos em relação à renda do que os ricos.
Assim, as informações contidas nessa tabela mostram que a estrutura tributária brasileira é exatamente o oposto do que deveria ser: quanto maior o rendimento, menor a quantidade de impostos se paga em relação à renda. Isto os analistas conservadores não falam…
Portanto, além de tornar a estrutura tributária mais simples, há uma necessidade premente de que a pauta da reforma tributária seja levada a sério, para torná-la mais progressiva e assim contribuir para melhorar a distribuição de renda e a equidade da sociedade brasileira.