domingo, 26 de abril de 2015

Reunião de Dilma com ministros sobre infraestrutura termina sem anúncio de medidas

http://oglobo.globo.com/economia/reuniao-de-dilma-com-ministros-sobre-infraestrutura-termina-sem-anuncio-de-medidas-15973019
 

 
Ao fim do encontro, que durou nove horas, não houve pronunciamento. Governo tenta destravar investimentos e atrair iniciativa privada
 
POR GERALDA DOCA / DANILO FARIELLO
 
BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff passou neste sábado cerca de nove horas reunida com ministros e dirigentes de bancos públicos, no Palácio da Alvorada, para definir um plano de investimentos em infraestrutura. Treze ministros e dirigentes do BNDES, da Caixa e do Banco do Brasil discutiram medidas para estimular a economia brasileira e tirar o governo da defensiva. Até o fim do ano, o governo federal quer realizar leilões de três aeroportos, quatro trechos de rodovias e uma extensão da ferrovia Norte-Sul.
 
Ao fim do encontro, não houve pronunciamento à imprensa. E o encontro terminou sem conclusão. Ainda serão necessárias novas rodadas de conversas para o governo fechar todas as medidas. Por enquanto, não há previsão de quando será feito o anúncio oficial.
 
O encontro, que debateu também o modelo de financiamento dos empreendimentos, a viabilidade de outras concessões e a Parceria Público-Privada (PPP), estava sendo chamado de “reunião de imersão”. A presidente deve promover reuniões deste tipo com outras áreas para definir uma agenda de governo para os próximos meses.
 
— O governo tem uma agenda positiva em fase de execução. Todos os dias recursos estão sendo liberados para estados e municípios. Há obras em pleno andamento, tem o Minha Casa Minha Vida. Temos desafios e compromissos para o segundo mandato. Tem uma agenda que vem sendo construída. É claro que uma conjuntura política instável afeta, mas essa estabilidade está sendo construída — disse o ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Edinho Silva.
 
Participaram da reunião os ministros Nelson Barbosa (Planejamento), Aloizio Mercadante (Casa Civil), Joaquim Levy (Fazenda), Izabella Teixeira (Meio Ambiente), Katia Abreu (Agricultura), Eduardo Braga (Minas e Energia), Antonio Carlos Rodrigues (Transportes), Gilberto Occhi (Integração Nacional), Eliseu Padilha (Aviação Civil), Edinho Araújo (Portos), Gilberto Kassab (Cidades), Ricardo Berzoini (Comunicações) e Edinho Silva. Além deles, também participaram Miriam Belchior (presidente da Caixa), Alexandre Abreu (presidente do Banco do Brasil) e Wagner Bittencourt (vice-presidente do BNDES).
 
Com o ajuste fiscal, a ideia do governo agora é que a iniciativa privada participe de forma mais ativa dos financiamentos, num cenário em que se prevê participação menor do BNDES.
 
AGENDA POSITIVA PARA ESTIMULAR INVESTIMENTOS
 
A meta do governo é lançar uma agenda positiva, na tentativa de estimular investimentos, aumentar a arrecadação neste ano e promover o desenvolvimento sustentável do país, tirando, assim, o segundo mandato da presidente da letargia econômica. Ou seja, mostrar que a política econômica vai além do ajuste fiscal, que será preservado.
 
No caso das concessões das rodovias, que teve o modelo já testado no mercado e aprovado, na visão do governo, a expectativa é que quatro leilões sejam realizados ainda este ano, porque os estudos conduzidos pelo Ministério dos Transportes já estão adiantados. Uma dessas estradas, no Paraná (BRs-476/153/282/480), já tem projeto entregue pela iniciativa privada que está em fase de ajustes. As outras três rodovias - a BR-364/060 que vai de Mato Grosso a Goiás, a BR-163/230 que liga Mato Grosso ao Pará, e a BR-364 que vai de Goiás a Minas Gerais - terão os estudos concluídos até junho e deverão ser leiloadas também em 2015. Essas concessões já foram anunciadas por Dilma em janeiro. Um novo lote de trechos a ser leiloado já está sendo analisado.
 
Os aeroportos de Porto Alegre, Florianópolis e Salvador deverão ter estudos finalizados este ano, e a previsão é que os leilões ocorram no início de 2016, considerando todas as etapas do processo: elaboração dos editais, audiências e consultas públicas e aprovação do Tribunal de Contas da União (TCU). Já está definido que a Infraero terá uma participação inferior aos 49%, percentual estabelecido nas primeiras rodadas de concessão do setor aeroportuário, por conta do ajuste fiscal. Também está em discussão se o ganhador do aeroporto de Porto Alegre terá permissão para construir um novo sítio portuário. Em Florianópolis, será preciso construir um novo terminal de passageiros e em Salvador, uma nova pista de pouso.
 
TRÊS PORTOS PODEM TER OBRAS
 
No caso da ferrovia Norte-Sul, já foi construído pela Valec o trecho entre Palmas (TO) e Anápolis (GO) e deverá ser concluída até junho do próximo ano a extensão até Estrela D'Oeste (SP). A ideia é fazer esse leilão com cobrança de outorga, para ajudar nos resultados do Tesouro ainda este ano. Novas ferrovias não devem entrar no programa por ora, mas a ideia é debater novos modelos que destravem as construções no setor, por exemplo, via PPPs. Outra discussão é a renovação antecipada de concessões de ferrovias da década de 90 em troca de pagamento de outorga imediata ou condicionando-se investimentos em novas linhas.
 
A concessão de canal de acesso e dragagem em três portos também é uma possibilidade: Santos, Paranaguá e Rio Grande. O setor privado tem mostrado grande entusiasmo com esses leilões de dragagem e vem propondo também outras opções de concessão nessa linha ao governo.
 
Já a concessão de hidrovias exige a realização de estudos mais profundos. Mas um cronograma com meta para isso já poderá ser apresentado pelo governo no mês que vem. Há ainda a intenção de apresentar um novo lote de rodovias para análise pelo setor privado, mas o assunto ainda está sendo tratado com reservas.
 
 
 
TALITA FERNANDES - O ESTADO DE S. PAULO
 
Encontro reúne ainda 4 representantes de bancos públicos
 
BRASÍLIA­ - A Secretaria de Comunicação do Palácio do Planalto confirmou que 13 ministros e quatro representantes de bancos públicos participam da reunião ministerial com a presidente da República, Dilma Rousseff, neste sábado, 25, para discutir investimentos em infraestrutura.
 
A reunião, que teve início às 9h deste sábado e se estenderá ao longo de todo o dia, é uma tentativa do governo de lançar uma agenda positiva diante do desânimo com a economia do País. Para isso, será retomada a agenda de investimentos em infraestrutura por meio de uma nova rodada de concessões em ferrovias, rodovias e aeroportos, podendo ser estendida também para portos e hidrovias.
 
Além de ministros, participam do encontro representantes dos bancos públicos e de fomento, como Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Sustentável (BNDES). O Planalto confirmou também a participação de técnicos dos ministérios envolvidos, sem especificar o número total de participantes. Entre os técnicos confirmados estão quatro secretários da Fazenda: Tarcísio Massote de Godoy (Secretário­executivo), Fabricio do Rozario Valle Dantas Leite (secretário­executivo adjunto), Marcelo Barbosa Saintive (Tesouro Nacional) e Paulo Guilherme Farah Corrêa (Acompanhamento Econômico).
 
O encontro se dará em diversas etapas e os ministros não participarão juntos, necessariamente, de uma mesma conversa. O ministro das Minas e Energia, Eduardo Braga, chegou por volta de 9h30 e deixou o Alvorada perto do meio dia.
 
Entre os presentes estão os ministros: Nelson Barbosa, (Planejamento), Aloizio Mercadante (Casa Civil), Joaquim Levy (Fazenda), Izabella Teixeira (Meio Ambiente), Kátia Abreu (Agricultura), Edinho Silva (Comunicação Social), Eduardo Braga (Minas e Energia), Antônio Carlos Rodrigues (Transportes), Gilberto Occhi (Integração Nacional), Eliseu Padilha (Aviação Civil), Edinho Araújo (Portos), Gilberto Kassab (Cidades) e Ricardo Berzoini (Comunicações). Como representantes de instituições financeiras, participam Miriam Belchior, presidente da Caixa, Alexandre Abreu, presidente do BB, e Wagner Bittencourt, vice­presidente do BNDES. O vice­presidente de Infraestrutura do Banco do Brasil, César Borges, também participa da reunião.

sábado, 25 de abril de 2015

Nova Petrobras, segundo Bendine


da Folha
Empresa teria liberdade de preços e para contornar políticas de governo que elevaram seus custos
REDUZIR A DÍVIDA é uma prioridade maior da Petrobras. A empresa devia o equivalente a 4,8 vezes o seu "lucro", ao final de 2014. Em 2010, essa medida de endividamento relativo equivalia 1 e deve ir a perigosos 6 em 2016, segundo analistas privados da petroleira. A direção da empresa vai trabalhar para baixar esse indicador crítico de saúde financeira para 3, em cinco anos.
Não é uma meta formal, explica Aldemir Bendine, presidente da empresa, mas um plano de trabalho da "vida normal" da nova Petrobras, sem a "ansiedade" e o drama dos episódios que precederam a publicação do retardadíssimo balanço de 2014 (o balanço do primeiro trimestre sai entre 15 e 20 dias). Não estão previstas medidas heroicas, mas um "trabalho de formiga".
Não deve haver captações enormes de dinheiro novo tão cedo ("este ano está equacionado"), mas a Petrobras já contaria com muitas ofertas "picadas" de financiamento que permitiriam à empresa trocar dívida velha por nova a custo, juros, inferior ("tivemos uns 40" ofertantes diferentes). A empresa vai, sim, captar no mercado doméstico, mas sempre com lastro em dinheiro de fora.
Os preços domésticos de venda de derivados estariam em bom nível, 20% acima do mercado mundial, segundo estimativas internas da empresa. A Petrobras agora teria "liberdade de formação de preços", que seriam repensados em um "horizonte de 180 dias", para amortecer a volatilidade de preços do barril e do câmbio.
O plano de "desinvestimento", venda de ativos, é o que já foi anunciado, US$ 13,7 bilhões até 2016: pequenas termelétricas, pequenos negócios de venda de derivados, poços com produção em declínio. Vender parte da empresa na BR Distribuidora ou na petroquímica Braskem é um assunto que não está nem na prancheta, até porque o preço está muito ruim, "seria vender na bacia das almas".
A empresa pode faturar mais, porém, no que Bendine chama de "sinergias que não estão sendo exploradas em muitos ativos". Para dar apenas um exemplo, vender direito de passar cabos de teles por dutos da empresa, entre muitos negócios variados que poderiam gerar bilhões.
Reduzir custo e investimento é, claro, um meio de conter as necessidades de financiamento. O que a empresa fará sobre a política de conteúdo nacional (comprar equipamentos que sejam, em dois terços, produzidos no país), em geral mais caros? De ser obrigada a ter 30% de cada negócio de exploração do pré-sal? "A depender da época, cada modelo tem vantagens e desvantagens. Existem leis e regulações", diz Bendine, diplomaticamente, mas "há entendimento" de que a empresa não será obrigada em determinados negócios, "caso o caixa não permita."
"Dada a realidade do mercado" (baixa mundial de preços do petróleo e de equipamentos, além de problemas com fornecedores nacionais), "não é possível o cumprimento" de certas regulações. Além do mais, a questão não seria premente.
A empresa não precisa adquirir equipamentos e tão cedo não deve haver leilões do direito de explorar o pré-sal. De resto, dada a produtividade do pré-sal, "sobra" equipamento. Ainda assim, o plano de longo prazo da empresa deve exigir "discussões" de mudanças com os reguladores a respeito da política pública para a empresa.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

PL da terceirização gera a queda de braço entre Cunha e Renan

A briga é dos dois senhores (troque por um palavrão qualquer) e quem paga a conta somos nós. Tenha juízo, não vote PMDB.

http://jornalggn.com.br/noticia/pl-da-terceirizacao-gera-a-queda-de-braco-entre-cunha-e-renan

Da Revista Fórum
Os presidentes da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), têm divergido publicamente sobre o Projeto de Lei 4.330, mais conhecido como PL da terceirização, cujas emendas foram aprovadas nesta semana pela Câmara. Enquanto Cunha quer celeridade na votação da matéria, que agora vai para o Senado, Calheiros discorda e ameaça travar a tramitação na Casa que comanda.
“Ter pressa nessa regulamentação significa, em outras palavras, regulamentar a atividade-fim, e isso é um retrocesso, uma pedalada no direito do trabalhador”, afirmou Renan na última quinta-feira (23). “Demorou 11 anos para passar na Câmara, se demorar cinco para tramitar no Senado está bom”, disse ao jornal O Estado de S. Paulo um interlocutor direto do peemedebista sobre sua disposição em votar o projeto.
Não demorou muito para que Cunha rebatesse as declarações do colega de partido. “Se eles podem segurar [projetos], a Câmara pode segurar também o que veio do Senado”, ameaçou, e adicionou, quando questionado sobre a suposta demonstração de força: “É óbvio que a Câmara tem o que segurar”.
O clima entre os parlamentares se acirrou na última quarta-feira (22), quando o deputado carioca mandou um recado público ao alagoano: “O que a Câmara decidir pode ser revisado pelo Senado. Mas a última palavra será da Câmara. A gente derrubaria a decisão se o Senado desconfigurar [o projeto]“.
Caso engavete o PL, Renan deve sofrer outras formas de represália. Aliados de Cunha garantem que podem barrar um projeto fundamental para Alagoas, estado governado pelo filho de Calheiros, Renan Filho, também do PMDB. Trata-se da proposta sobre a anistia na concessão de incentivos fiscais dados por estados ilegalmente. O texto, aprovado pelo Senado no começo do mês, passará ainda por duas comissões temáticas e pelo plenário da Câmara. Na primeira delas, será relatada por Soraya Santos (PMDB-RJ), do grupo de Cunha.

Casa do Povo? Cunha quer instalar catracas no acesso ao plenário da Câmara

O povo tá querendo muito participar das decisões do país, por isso, cunha quer manter-se longe.


http://www.revistaforum.com.br/blog/2015/04/casa-do-povo-cunha-quer-instalar-catracas-no-acesso-ao-plenario-da-camara/


abril 24, 2015 11:39
Casa do Povo? Cunha quer instalar catracas no acesso ao plenário da Câmara
Quando estiverem em operação, os equipamentos permitirão apenas a entrada dos 513 deputados, 81 senadores, dois ou três assessores por partido, jornalistas com credencial e assessores técnicos
Por Redação
O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), quer limitar o acesso ao plenário da Casa. O plano é que, a partir de agosto, quem queira adentrar o espaço tenha que passar por catracas biométricas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Os equipamentos permitirão que acessem o plenário por reconhecimento digital apenas os 513 deputados, 81 senadores, dois ou três assessores por partido, jornalistas com credencial e assessores técnicos. Atualmente, o controle de entrada é de responsabilidade de seguranças, que o fazem manualmente: colocam pins na lapela dos parlamentares e conferem credenciais de servidores e repórteres.
De acordo com a matéria do Estadão, o deputado Beto Mansur (PRB-SP), 1º Secretário da Câmara, encomendou estudo para analisar a situação. O levantamento contabilizou um fluxo médio de 265 pessoas a cada cinco minutos no plenário. “Já levei muita gente para dentro do plenário, mas tem que ter regra”, admite Mansur. Ele declara não saber quanto custará a instalação das catracas, mas quer lançar a licitação “nos próximos dias”.
Ultimamente, a chamada “Casa do Povo” já não tem sido muito frequentada pela sociedade civil, constantemente impedida de ocupar as galerias para acompanhar as atividades legislativas – exemplo disso ocorreu nos dois dias de votação do PL da terceirização, quando as centrais sindicais foram barradas na porta da Câmara. Ao que parece, agora ficará ainda mais restrito o acesso ao local onde são tomadas tantas decisões decisivas ao rumo do país.
(Foto: Gustavo Lima/Câmara dos Deputados)

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Contas externas têm déficit de US$ 5,7 bilhões em março

http://jornalggn.com.br/noticia/contas-externas-tem-deficit-de-us-57-bilhoes-em-marco


O saldo das trocas de mercadorias e serviços do Brasil com o resto do mundo – as transações correntes – ficou negativo em US$ 5,736 bilhões em março. No acumulado dos três primeiros meses do ano, o déficit está em US$ 25,394 bilhões. No mesmo período do ano passado, era US$ 27,734 bilhões. Os dados foram divulgados hoje (22) pelo Banco Central (BC).
A conta de serviços, que inclui viagens internacionais transportes, aluguel de equipamentos e seguros, ficou deficitária em US$ 3,862 bilhões, puxada pelas despesas com viagens e transportes. O saldo comercial ficou positivo em US$ 230 milhões. O valor resulta de US$ 16,948 bilhões em exportações e US$ 16,718 bilhões em importações.
Na conta financeira, que inclui o investimento no exterior e investimento direto no país, houve saldo negativo de US$ 5,169 bilhões em março. Os investimentos diretos no exterior tiveram redução de US$ 329 milhões. Já os investimentos diretos no país aumentaram US$ 4,263 bilhões.
O saldo de transações correntes encerrou 2014 negativo em US$ 90,9 bilhões, maior déficit anual já registrado, superando o recorde de 2013, quando houve déficit de US$ 81,8 bilhões.
Os números de março estão de acordo com nova metodologia, adotada pelo BC, em consonância com o manual mais recente do Fundo Monetário Internacional (FMI) para o balanço de pagamentos.
(Agência Brasil)

Bendine tira a Petrobras das garras do Moro

http://www.conversaafiada.com.br/economia/2015/04/22/bendine-tira-a-petrobras-das-garras-do-moro/


Bendine anuncia a regularização da relação com acionistas e investidores

Da Petrobras:

PETROBRAS DIVULGA RESULTADOS AUDITADOS DE 2014

• A Petrobras apresentou prejuízo de R$ 21,6 bilhões no ano de 2014, em função, principalmente, da perda por desvalorização de ativos – impairment (R$ 44,6 bilhões), da baixa de gastos adicionais capitalizados indevidamente no âmbito da Operação Lava Jato (R$ 6,2 bilhões), do provisionamento de perdas com recebíveis do setor elétrico (R$ 4,5 bilhões), das baixas dos valores relacionados à construção das refinarias Premium I e II (R$ 2,8 bilhões) e do provisionamento do Programa de Incentivo ao Desligamento Voluntário-PIDV (R$ 2,4 bilhões).

• No 3º trimestre de 2014 foi apurado prejuízo de R$ 5,3 bilhões. A diferença em relação ao lucro líquido divulgado em 27 de janeiro de 2015, de R$ 3,1 bilhões, reflete a baixa de gastos adicionais capitalizados indevidamente no âmbito da Operação Lava Jato (R$ 6,2 bilhões), além de um complemento de provisão para perdas com recebíveis do setor elétrico de R$ 1,6 bilhão.

• O prejuízo de R$ 26,6 bilhões no 4º trimestre de 2014 refletiu a perda por desvalorização de ativos (impairment). A maior parte dessa perda foi relacionada às atividades de refino, devido a problemas de planejamento dos projetos, utilização de taxa de desconto com maior prêmio de risco, postergação da expectativa de entrada de caixa e menor crescimento econômico. Na atividade de Exploração e Produção o impairment ocorreu em função do declínio nos preços do petróleo.

• Como destaque operacional, a produção de petróleo e gás natural (Brasil e exterior) cresceu 5% em relação a 2013, atingindo a média de 2 milhões 669 mil barris de óleo equivalente por dia (boed) em 2014. A produção do Pré-sal contribuiu com 381 mil bpd no ano, com recorde de produção diária de petróleo estabelecido em 21 de dezembro, com 713 mil barris.

• No ano, quatro novas plataformas entraram em operação e 87 novos poços foram interligados no Brasil.

• No refino, a produção total de derivados de 2014 foi de 2 milhões 170 mil bpd, 2% acima de 2013. Em novembro entrou em operação o 1º trem da RNEST.

• Os investimentos totalizaram R$ 87,1 bilhões em 2014, uma redução de 17% em relação a 2013.

• A Companhia terminou o ano com R$ 68,9 bilhões em caixa.
Em tempo: “Ao apresentarmos os dados estamos dando passo fundamental em direção ao pleno resgate da Petrobras junto aos seus acionistas, fornecedores, mercado e sociedade”, disse o presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, antes da apresentação.
“A partir daqui a Petrobras volta a garantir normalidade dos seus funcionamentos com investidores, acionistas e credores no Brasil e no exterior”, disse Bendine

terça-feira, 21 de abril de 2015

Os passos do ajuste fiscal e o adiamento do sonho

http://jornalggn.com.br/noticia/os-passos-do-ajuste-fiscal-e-o-adiamento-do-sonho


O Ministério do Planejamento divulgou o PLDO (Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias 2016) que deverá nortear o desenho do PPA (Plano Plurianual).
Para o superávit primário definiu uma meta de 2% do PIB até 2018. “Consideramos que num contexto macro mais favorável será suficiente para manter a estabilidade fiscal”, explica o Ministro Nelson Barbosa. Por tal entenda-se estabilizar a dívida líquida do setor público em 35% e reduzir gradualmente a dívida bruta de 62% para 60%.
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Para que essa hipótese se realize, o Planejamento trabalha com os cenários de mercado:
  1. PIB com queda de 0,9% este ano e crescimento de 1,3%, 1,9% e 2,4% nos próximos três anos.
  2. IPCA batendo em 8,2% este ano e caindo para 5,6%, 4,5% e 4,5%.
  3. Selic no final de período de 13,25% este ano e, depois, em 11,5%, 10,5% e 10%.
  4. Câmbio se estabilizando entre R$ 3,20 e R$ 3,30.
Com essas hipóteses, o resultado nominal (despesa menos receita incluindo juros) seria de -5,16% este ano, caindo para -2,93%, -2,33% e -2,26%. A dívida bruta recuaria de 62,5% para 60,4% do PIB por conta do aumento do numerador (o PIB) e do fim de algumas operações financeiras onerosas.
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O PLDO definiu metas para os principais itens de despesa:
  1. A folha de pagamentos deverá ter a mesma taxa de crescimento em todos os poderes.
  2. Valores disponíveis deverão ser distribuídos proporcionalmente entre os poderes.
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A redução da dívida bruta advirá mesmo do desmonte gradual de um conjunto de operações financeiras, especialmente os swap cambiais do Banco Central e o diferencial entre a Selic e as taxas de juros do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social).
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Buscou-se um meio termo mais realista do que os impossíveis 3,5% a 4% defendidos por cabeças de planilha; e mais do que o desejado pelas alas menos ortodoxas da economia.
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Esse cenário será necessário para garantir a aprovação das agências de risco e o fluxo de capitais de curto prazo necessário para fechar as contas externas.
Trata-se do desfecho do sonho de criar uma economia equilibrada, com taxas de juros compatíveis com as praticadas em países desenvolvidos.
Chegou-se a uma Selic de 7,5%, a uma redução dos spreads bancários, a uma competição entre os bancos.
Volta-se agora à antiga receita de juros altos, spreads altos, financiamento externo de curto prazo para fechar as contas, swaps cambiais, juros, tudo corroendo os recursos orçamentários. E louvem-se os céus se a fórmula for bem sucedida.
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O que leva as nações latino-americanas a esses movimentos pendulares sucessivos?
De um lado, a falta de um pensamento macroeconômico sistematizado, nas universidades e nos partidos, capaz de se contrapor à poderosa cortina de expectativas alimentada pela dupla mercado-mídia.
De outro, as atitudes atabalhoadas, a maldição do voluntarismo tipicamente do continente e a falta de limites institucionais a experimentalismos.
É todo esse conjunto de vulnerabilidades culturais e institucionais que leva uma presidente a chegar ao feito de uma Selic a 7,5% e, depois, piscar ao primeiro sinal de uma inflação que nada tinha a ver com a demanda.